Comitê aposta na recuperação de nascentes e uso sustentável do solo

Expectativa é que reconhecimento da região como semiárida possa trazer também ganhos ambientais

Seca do Rio Paraíba no ano de 2013 – Foto César Ferreira

A criação de um fundo de desenvolvimento para atender a agropecuária de 22 municípios do Norte e Noroeste Fluminense, apontados como semiáridos, é vista também como uma possibilidade de investimentos na recuperação ambiental. A região pode ser beneficiada pelo, recém aprovado, Projeto de Lei 1440/2019, que prevê recursos a produtores a partir da mudança climática.

Especialistas ouvidos pelo Rota Verde em três reportagens anteriores são unânimes ao afirmar sobre a necessidade da implantação de práticas sustentáveis para minimizar os impactos provocados no campo pela degradação ambiental durante décadas.

A expectativa é que, a partir de recursos destinados, produtores rurais e pecuaristas possam ser motivados à recuperação de matas e nascentes, apostando por exemplo na agroecologia e na pecuária silvipastorial, um método que combina no mesmo espaço gado, árvores e pastos.

O Comitê Baixo Paraíba do Sul e Itabapoana acompanha os estudos meteorológicos feitos pela Universidade do Estadual do Norte Fluminense (UENF) e reconhece a falta de chuva na região, além dos impactos disso e a necessidade que haja o uso sustentável do solo.

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Integrado por vozes do poder público, da sociedade civil organizada e usuários de água bruta dos rios Paraíba e Itabapoana, o Comitê já vem elaborando ações que melhore a produção de água na sua bacia hidrográfica.

“Nós estamos focados em recuperação de nascentes. De lá que vem a nossa água. Estamos em processo de priorização de áreas que possam ser recuperadas para o plantio de árvores. Mas não é aleatório. A velocidade do escoamento da água, superficial, que cai da chuva é muito grande. Então, florestas em área de encosta, topo de morro e nascentes, impedem esse escoamento rápido da água, deixando ela infiltrada no solo. É esse processo que estamos envolvendo o Comitê”, destaca João Siqueira, diretor do Comitê Baixo Paraíba do Sul.

Ainda segundo ele, no ciclo hidrológico, a água evapora no mar, forma nuvens e o vento empurra até as áreas montanhosas, por isso não chove suficiente na região.

“O nosso vento empurra a chuva até a montanha no Noroeste ou em Minas e lá chove. De lá, vem para nós. Com a falta de cobertura do solo, essa água não infiltra. Ela bate, escorre e ganha a calha do rio e dali volta para o mar rapidamente. O interessante é que esta água infiltre no solo, que é um grande reservatório, seja guardada um tempo ali, vá escoando lentamente pelas nascentes e aí sim venha ganhar a calha do rio. Então, esse processo é alterado pela falta de florestas”, comenta João Siqueira.

Modelo de reflorestamento já garantiu 5 mil hectares de Mata Atlântica

As ações do Comitê Baixo Paraíba do Sul e Itabapoana em prol do meio ambiente da região independem do PL 1440/2019, já que os recursos disponíveis vêm do dinheiro arrecadado em níveis federal e estadual pelo uso da água dos rios por parte de empresas e instituições.

Exemplos dados por outros comitês de bacias, como o Guandu podem servir de modelo para a recuperação de florestas no Norte e Noroeste Fluminemse.

O Comitê, que pega parte da região metropolitana do Rio e centro sul do estado, vem mostrando na prática, desde 2009, como o incentivo à sustentabilidade já recuperou ou preservou mais de 5 mil hectares de Mata Atlântica com o programa Produtores de Água e Floresta (PAF).

O PAF é um dos primeiros projetos de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) do Brasil. Além de preservar o meio ambiente, os produtores rurais que fazem parte do PAF já receberam mais de RS 2,7 milhões em retribuição.

Isso sem contar, o aumento da renda familiar a partir de uma produção amparada por orientações técnicas e sustentáveis. Atualmente, o programa ampliou a sua atuação com os Sistemas Agroflorestais (SAFs), aliando espécies florestais e cultivos agrícolas. A agroecologia vem se destacando com a produção de alimentos orgânicos, por exemplo.

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