Reservas protegem a biodiversidade no Norte Fluminense

“As Unidades de Conservação trabalham na recuperação da Mata Atlântica, além disso, geram um conteúdo de informação e pesquisa para a comunidade”

RPPN - Vale Carukango / Foto: Sucellus
RPPN Águas Claras / Foto: Cleber Fiuza

Um paraíso cercado de mata, com animais silvestres e com água cristalina. São poucos lugares assim na região Norte Fluminense do estado do Rio de Janeiro, mas as RPPNS Águas Claras I e II, que ficam no sítio de mesmo nome no município de Conceição de Macabu, tem transformado a fauna e flora local, tudo com empenho de pesquisadores e voluntários que atuam no local. É conhecimento compartilhado que pode gerar ainda mais proteção ambiental na região.

De acordo com Maria Inês Paes Ferreira, Gestora da Estação Semente RPPN Águas Claras, as reservas protegem importantes remanescentes da Mata Atlântica, por ser um recanto tradicionalmente frequentado por visitantes do Norte Fluminense, parte da propriedade permanece destinada ao uso recreativo e sustentável dos seus recursos ambientais.

“As RPPNs Águas Claras I (com área de 2,09 ha) e Águas Claras II (com área de 3, 61 ha) estão situadas no interior de uma propriedade rural de 8,5 ha, o sítio Águas Claras. As Unidades de Conservação (UCs) localizam-se a apenas 200m da Cachoeira da Amorosa. A cachoeira é um importante atrativo natural regional que se encontra no triplo limite municipal de Trajano de Moraes, Conceição de Macabu e Santa Maria Madalena”, explica a Gestora.

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É como se a natureza voltasse um pouquinho a cada dia, ainda segundo Maria Inês, entre os destaques da biodiversidade nas RPPNs é possível citar em termos de flora, a ocorrência de espécies com algum grau de risco e extinção, com a Dalbergia nigra (jacaranda da bahia), a Apuleia leiocarpa (garapa) e a Kielmeyera insignis. É importante destacar a grande diversidade floristica com aproximadamente 60 espécies já identificadas nas UCs. Em termos de fauna, já foram registradas cinco espécies de aves endêmicas da Mata Atlântica, como o tangará (Chiroxiphia caudata), abre-asas-de-cabeça-cinza (Mionectes rufiventris), tachuri-campainha (Hemitriccus nidipendulus), choca-de-sooretama (Thamnophilus ambiguus) e rabo-branco-mirim (Phaethornis idaliae), esta última categorizada na lista de avifauna ameaçada do estado do RJ. O levantamento de mamíferos e répteis na região encontra-se em andamento.

As reservas foram criadas em 2010 e reconhecidas pelo governo do estado do RJ por meio das Portarias INEA/RJ/PRES Nº 152 (Águas Claras I) e INEA/RJ/PRES Nº 115 (Águas Claras II) com o objetivo de proteger as águas, a biodiversidade e os fragmentos da Mata Atlântica desse território de importância ambiental e histórico-cultural ímpar.O que segue como exemplo positivo de preservação para todo o estado do Rio de Janeiro.

“As trilhas no interior das reservas estão em fase de planejamento e abertura, carecendo ainda de manejo completo, apesar de existir uma pequena trilha anterior à criação das RPPNs que se inicia na lateral da Cachoeira da Amorosa e termina no início da RPPN Águas Claras II e também um caminho que vai da estrada da Amorosa até o Poço Jamaica, localizado no interior do Sítio Águas Claras no entorno da RPPN Águas Claras I. Devido à ocorrência de serpentes e outros animais peçonhentos no local, bem como ao risco de escorregamento, não é recomendado aos visitantes que percorram a propriedade sem guia ou autorização da administração, apesar desse comportamento ser bastante comum, devido às dificuldades de restrição de acesso à área tendo em vista ser a propriedade cortada pelo rio Carukango”, afirma Maria Inês.

Cachoeira da Amorosa / Foto: Rota Verde
RPPN Poços / Foto: Sucellus
Acervo RPPN Águas Claras

Informação compartilhada

As ações no local têm focado principalmente em receber grupos de estudantes de nível médio, graduação e pós-graduação, assim como pesquisadores e técnicos para debater sobre a conservação da Natureza e sobre o projeto de permacultura e a recuperação da Mata Atlântica (reflorestamento) que se encontra em andamento.

“Também realizamos oficinas com membros da comunidade local da região da Amorosa, frequentadores e especialistas para construirmos coletivamente alternativas de geração local de renda associada ao ecoturismo e turismo de baixo impacto, que infelizmente não é o que historicamente ocorre na Cachoeira da Amorosa. A Educação Ambiental não formal é feita constantemente pela equipe gestora e por colaboradores voluntários da RPPN que buscam sensibilizar os frequentadores habituais da região a não deixar resíduos, não perturbar o silencio das aves e de outros animais que habitam o local, não fazer fogo, caçar, pescar ou provocar impactos ambientais na propriedade. Muitos visitantes alegam não saber que a área é particular, apesar da sinalização colocada na proximidade dos poços e na entrada da RPPN”, conta a Gestora.

Cada cantinho desse preservado por gestores e colaboradores, precisa também ser protegido por toda comunidade do entorno. Esse comportamento faz toda a diferença para o futuro das próximas gerações. “O envolvimento da comunidade é fundamental, pois conservar a Natureza no Brasil apenas com recursos próprios é totalmente inviável. A comunidade precisa sentir-se parte ativa do projeto de cuidar da Amorosa, não só entendendo a importância de manter o ambiente limpo e equilibrado, como também ajudando a manter as benfeitorias do local (que é aberto ao público sem qualquer cobrança até o momento). Além de minimizar os conflitos que podem advir da entrada indiscriminada de visitantes na reserva, a interação com a comunidade torna possível estabelecer parcerias para as ações de pesquisa, recuperação e educação ambiental”, comenta Maria Inês.

Placas de matéria orgânica / Acervo RPPN Águas Claras
Rabo branco mirim / Foto: Felipe Barreto
RPPN Adnet Floresta / Foto: Tom Adnetl

A RPPNs Águas Claras e seu entorno estão sendo transformados em uma Estação Demonstrativa de Permacultura: a Estação Semente Águas Claras. A Estação Semente Águas Claras busca assim aglutinar ações de cidadania planetária para a sustentabilidade, envolvendo educação ambiental, trilhas ecopedagógicas, cursos e práticas de design permacutural, sistemas agroflorestais e bioconstrução, proporcionando aos seus visitantes uma experiência de renovação energética e reconexão com a Natureza, que inclui revigorantes banhos nos seus poços e corredeiras, integrados a uma vista deslumbrante da microbacia do rio Carukango.

“Com apoio da FAPERJ (Fundação de Amparo à Pesquisa do estado do RJ), do Instituto Federal Fluminese, do NUPEM/UFRJ e das prefeituras locais esperamos inspirar produtores locais a manejar suas propriedades de forma sustentável, compatibilizando geração de renda e produção rural com a proteção da Natureza. A proposta foi contemplada em 2021 com o terceiro lugar do prêmio INEA Meio Ambiente”, finaliza a Gestora.

*
A Profª. Maria Inês Paes Ferreira
Engenheira Química, D.Sc.,
Coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Petróleo Energia e Recursos Naturais
Instituto Federal Fluminense
Prof. Titular
Coordenadora da CTIG do Comitê de Bacia dos Rios Macaé e das Ostras
Gestora da Estação Semente RPPN Águas Claras

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