“Reflorestar” no Caparaó Capixaba ganha força com jovens produtores

Em Alegre, famílias da comunidade de Feliz Lembrança dão exemplo de sustentabilidade

Jovens produtores rurais de Alegre, na Região do Caparaó Capixaba, têm sido peças fundamentais na recuperação e preservação do meio ambiente por meio do programa Reflorestar. Um dos destaques é a comunidade de Feliz Lembrança, onde, desde o início deste ano, 30 novos contratos de pagamento de serviços ambientais (PSA) foram assinados, como forma de beneficiar àquelas famílias que associam o cultivo da agricultura aos cuidados com a natureza.

Os projetos aprovados preveem 71,87 hectares implantados com a modalidade Sistema Agroflorestal (SAF). De acordo com o coordenador do Programa Reflorestar, Marcos Sossai, a iniciativa dos jovens produtores é uma experiência comunitária sustentável, que vai proporcionar a restauração de florestas que vão conciliar a geração de serviços ecossistêmicos relacionados à biodiversidade e a regulação hídrica, com a geração de renda, já que viabiliza o plantio de espécies nativas com espécies que permitem produção sustentável.

“São jovens produtores rurais que vão plantar cerca 151 mil mudas de várias espécies, incluindo de essências nativas da Mata Atlântica, espécies produtivas como banana, palmito pupunha, abacate e, principalmente, café, formando as agroflorestas (SAF), e que poderão gerar receitas que podem chegar a R$ 3,5 milhões por ano, quando todas as espécies estiverem produzindo, o que deve ocorrer em cerca de três anos. Serão, ao todo, 94 hectares que receberão apoio do Reflorestar, dos quais, 66 hectares exclusivamente com plantios com esta dinâmica sustentável”, explicou o coordenador.

Um destes jovens é o Paulo Gonçalves de Azeredo Júnior, de 25 anos. Na propriedade dele, três hectares que antes eram destinados apenas para pasto, agora fazem parte do Reflorestar. Ele iniciou o plantio consorciado de café, palmito pupunha e nativas da Mata Atlântica, como o ipê, jatobá, jequitibá rosa e jacarandá.

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O jovem produtor conta que antes mesmo da chegada do programa, a comunidade de Feliz Lembrança já tinha uma preocupação com a sustentabilidade, mas acredita que o Reflorestar vai potencializar ainda mais isto.

“Já tínhamos um combinado da própria comunidade que toda área de vagem dentro da propriedade deve ser preservada, justamente para guardar água. Todo sistema da comunidade já é meio que agroflorestal. As pessoas também não cultivam onde tem nascentes”, destacou Paulo Júnior.

Outro diferencial da comunidade, segundo ele, é a resistência ao uso de agrotóxico. “A maioria das pessoas, como eu por exemplo, não utiliza esse tipo de veneno. Para controlar praga, a gente procura o mais natural possível. Os produtos que a gente vende aqui é cultivado do mesmo jeito que o consumido por nossas famílias. Então, se ele não pode ser para a nossa família, outro também não pode se alimentar daquilo. Essa é a ideia da nossa comunidade. Graças a Deus, a gente adquiriu isso com o tempo, não aconteceu de um dia para o outro”, completou.

O jovem produtor Paulo Junior
Plantio na propriedade do produtor Paulo Junior
Plantio na propriedade do produtor Paulo Junior

Programa traz aperfeiçoamento

O presidente da Associação de Produtores e Moradores de Feliz Lembrança, João da Silva Abreu, também foi um dos produtores beneficiados. Atualmente, a propriedade já tem um percentual de mata nativa em conjunto com as culturas que a família produz, como laranja, banana, aipim, entre outras variedades.

O produtor já está ampliando a área do sítio e na nova propriedade, que tem área de 3,61 hectares, o produtor vai fazer uma intervenção em quase metade do sítio, na Modalidade SAF, totalizando 1,41 hectares, onde plantará espécies locais em conjunto com culturas que podem ser exploradas.

“Aqui na região é quase tudo parente, são quase 60 famílias. A gente já tem o costume mais antigo, pelo perfil da comunidade no modo de plantar que já conserva a mata. A gente vê a importância no Reflorestar, aqui a é uma comunidade no meio da floresta. Plantar assim agrega valor, refresca o clima”, disse o produtor rural.

Na pequena propriedade, a produção é de base familiar, onde atua junto com o filho. No sítio, onde passa um córrego que alimenta a região, o produtor lembra a importância para preservação do recurso hídrico com a intervenção no local.

“A principal vantagem é evitar o assoreamento, além de preservar podemos gerar uma renda, juntando o plantio da mata nativa e podendo usar o benefício de plantar um palmito, uma banana, que pode ser comercializado.”

Segundo o Governo do Espírito Santo, o município de Alegre é um dos destaques na preservação ambiental, tendo 179 produtores rurais que aderiram ao Reflorestar. Já a Região do Caparaó, onde o município está localizado, é a região com a maior quantidade de produtores beneficiados: 1.336 famílias, com R$ 15,2 milhões aprovados.

Somados, nos projetos aprovados para as famílias da comunidade de Lembrança Feliz, serão plantadas 11.778 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica, além de 109.467 mudas de café, 18.536 mudas de banana, 9.699 mudas de pupunha, além de outras espécies frutíferas
O programa é desenvolvido por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama) e do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes).

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Plantio é projetado antes da aprovação

De acordo com Vinicius Santos Terra, diretor de operações da MV Gestão Integrada, consultoria técnica que acompanhou os projetos em Alegre com os produtores, o resultado do esforço é positivo. “Trabalhar com o Reflorestar é algo que nos motiva a cada dia.

Fazemos mais do que projetos. O que nos move é a certeza de que estamos transformando a realidade do produtor rural e, ao mesmo tempo, proporcionando oportunidades por meio do pagamento por serviço ambiental. Por isso, investimos tanto em tecnologia, qualidade e processos para atender cada vez melhor os nossos parceiros produtores, Bandes e Seama”, destacou Vinicius Santos Terra.

O consultor explica que o trabalho com a comunidade de Feliz Lembrança foi iniciado em fevereiro de 2019 com uma reunião de mobilização. Durante o processo, foram realizadas algumas visitas para verificar documentação e quesitos técnicos para o planejamento e execução dos projetos.

“A comunidade merece todo esse apoio que o Programa Reflorestar está proporcionando, o trabalho que todos teremos daqui para frente é enorme, plantar agora será a parte mais fácil do processo, poder cuidar e fazer produzir nos aproximadamente 70 hectares de Sistema Agroflorestais que será o maior desafio, levando em consideração a parceria estabelecida, vamos conduzir com total atenção pelos próximos cinco anos de acompanhamento e monitoramento técnico, não só esses projetos da Feliz lembrança, mas também todos os 635 projetos que estão sob a responsabilidade da MV”, completou.

Vinicius, consultor do projeto

Sobre o Reflorestar

O Programa Reflorestar, que é considerado uma referência nacional, já beneficiou aproximadamente quatro mil projetos que ajudaram a recuperar ou preservar 10 mil hectares do meio ambiente de diferentes bacias hidrográficas, de norte a sul do Espírito Santo, com R$ 70 milhões aprovados.

Para ser contemplado, é necessário que o proprietário rural tenha áreas estratégicas na geração de serviços ambientais relacionados ao aumento da capacidade de infiltração da água no solo e na redução da geração de sedimentos, identificadas por meio de estudos reconhecidos pelo Núcleo de Gestão do Programa Reflorestar (NGPR), da Seama.

Para participar, é necessário se cadastrar e aguardar possibilidade de apoio para a sua região pelo site (https://seama.portalreflorestar.es.gov.br/registro/). O pagamento dos serviços ambientais é mais uma alternativa de geração de oportunidades e renda para o produtor rural. Os valores variam de acordo com a modalidade de preservação e a extensão de área preservada.

O diretor-presidente do Bandes, Munir Abud de Oliveira, enfatizou que um dos compromissos do banco é atuar em projetos de desenvolvimento sustentável e que o Reflorestar é referência na preservação do meio ambiente capixaba.

“Por meio deste programa, temos um mecanismo financeiro que possibilita ao produtor rural capixaba a oportunidade de investir no desenvolvimento econômico em sua propriedade de forma articulada com a preservação ambiental. É a oportunidade de gerar renda e qualidade de vida para a população capixaba”, disse Munir Abud.

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