State of the Global Climate 2025
State of the Global Climate 2025

ONU alerta que dependência de fósseis colapsa o clima e a segurança global

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O veredito da ciência é definitivo e alarmante: o planeta não está apenas aquecendo, ele está retendo energia em níveis sem precedentes. O relatório “Estado do Clima 2025”, lançado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), confirma que os últimos 11 anos foram os mais quentes da história e introduz um indicador sombrio: o desequilíbrio energético recorde.

A Terra está recebendo muito mais calor do sol do que consegue devolver ao espaço. Esse excesso de energia acumulado por ano equivale a 18 vezes o consumo anual de toda a humanidade. O culpado, segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres, é o “vício” global em combustíveis fósseis, que hoje desestabiliza não apenas o termômetro, mas a própria paz mundial.

A guerra como lente da vulnerabilidade

O relatório destaca que a queima de fósseis responde por 75% das emissões de gases de efeito estufa. Em 2026, esse cenário é agravado pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, que gerou a maior crise energética das últimas décadas.

“O estresse climático revela uma verdade: nosso vício em fósseis desestabiliza o clima e a segurança global. Energias renováveis são, agora, sinônimo de segurança nacional”, reforçou Guterres.

Radiografia do aquecimento (2015-2025)

  • Sequência histórica: Todos os anos entre 2015 e 2025 figuram no ranking dos mais quentes já registrados. “Quando a história se repete 11 vezes, não é mais coincidência”, alertou a OMM.
  • O alerta de 2024: O ano passado consolidou-se como o mais quente da história, atingindo 1,53°C acima dos níveis pré-industriais — ultrapassando o limite preferencial do Acordo de Paris.
  • Oceanos em ebulição: Cerca de 91% do excesso de calor é absorvido pelos mares. O ritmo de aquecimento oceânico entre 2005 e 2025 foi duas vezes superior ao observado nas quatro décadas anteriores.

Degelo e consequências seculares

O caos climático não é um evento passageiro. A ONU alerta que a retenção de calor atual terá consequências por centenas, talvez milhares de anos. Em 2025, a extensão do gelo marinho no Ártico atingiu as marcas mais baixas da série histórica, enquanto Groenlândia e Antártica registraram perdas de massa críticas.

Os dados da OMM reforçam que as decisões tomadas hoje — como a contratação de termelétricas fósseis no Brasil ou a lentidão na eletrificação dos transportes — têm um custo humano e ambiental que será cobrado por gerações. Como resumiu Guterres: “Atrasar a transição energética é mortal”.

Fontes: Organização Meteorológica Mundial (OMM), Relatório Estado do Clima 2025; Folha de S.Paulo; France 24.

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