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Leilão do governo contrata térmicas a óleo e diesel e “suja” matriz brasileira em plena crise fóssil

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Enquanto o mundo busca se desvencilhar da dependência do petróleo, o Brasil tomou o caminho inverso. A segunda etapa do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) de 2026, realizada na última sexta-feira (20/3), resultou na contratação de 501 megawatts (MW) de potência — dos quais mais de 80% virão de fontes fósseis. Usinas movidas a óleo diesel e óleo combustível foram as grandes “vencedoras”, garantindo uma receita fixa bilionária paga pelos consumidores.

O movimento ocorre em um momento crítico: com a guerra no Oriente Médio, os preços dos derivados de petróleo dispararam, tornando a escolha por essas usinas uma aposta arriscada para a segurança energética e financeira do país.

O mapa da “energia suja”

Os contratos, com duração de três a dez anos, envolvem gigantes como a Petrobras e unidades em Pernambuco, Rio Grande do Sul e Goiás.

  • Início em 2026: Foram contratados 228 MW (óleo combustível e diesel) com receita fixa de R$ 111,6 milhões/ano.
  • Início em 2027: A UTE Termoceará (Petrobras), movida a diesel, ofertará 175 MW com receita de R$ 76,9 milhões/ano.
  • A “folha de parreira”: Apenas 98 MW de térmicas a biodiesel foram contratados para 2030, uma fração mínima perto do volume fóssil.

A conta de luz vai subir

A primeira etapa do leilão, ocorrida dois dias antes, já havia contratado massivos 16,7 GW de usinas a gás e carvão. Entidades como a Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) e a Abrace alertam para um cenário sombrio:

  • Impacto tarifário: Estima-se um aumento de 10% na conta de luz média dos brasileiros.
  • Supercontratação: Especialistas afirmam que o volume contratado é superior ao necessário e que houve baixíssima competição, favorecendo preços altos.
  • Receita garantida: Os vencedores terão direito a R$ 39 bilhões anuais apenas para “estar disponíveis”, independentemente de produzirem energia ou não.

Vulnerabilidade em tempos de guerra

A escolha pelo gás fóssil e derivados de petróleo coloca o setor elétrico brasileiro à mercê da geopolítica. Com o Catar — maior produtor de GNL do mundo — sofrendo ataques em sua infraestrutura, o preço do gás importado explodiu. O Brasil, que poderia estar investindo em sistemas de armazenamento (baterias) para aproveitar o excedente de suas usinas eólicas e solares, prefere queimar combustível caro.

“Enquanto usinas limpas têm sua geração limitada por falta de rede ou demanda, o governo insiste em térmicas que emporcalham a matriz e encarecem a vida do cidadão”, critica o setor de renováveis.

Fonte: Canal Solar e ClimaInfo

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