Crédito: Pixbay
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Eletrificação de frotas pode poupar US$ 600 bilhões anuais contra o “petróleo de guerra”

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Em meio ao rastro de incertezas deixado pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, uma verdade emergiu com força: a dependência dos combustíveis fósseis é o calcanhar de Aquiles da economia global. Com o fechamento do Estreito de Ormuz e o barril do tipo Brent ultrapassando a marca dos US$ 112, um estudo do think tank Ember revela que a eletrificação dos transportes é a única vacina eficaz contra a inflação energética, podendo evitar gastos de US$ 600 bilhões por ano em importações de petróleo.

Os números de 2025 já mostram o tamanho desse impacto: a frota global de veículos elétricos (VEs) evitou o consumo de 1,7 milhão de barris por dia — um volume que se aproxima de quase tudo o que o Irã costumava exportar pelo estreito agora bloqueado.

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A crise atual acelerou o que antes era tendência. Hoje, 39 países já têm mais de 10% de suas vendas voltadas para elétricos. O destaque não está apenas na Europa, mas nas economias emergentes que buscam se proteger da volatilidade do dólar e do óleo:

  • China na frente: Em 2025, pela primeira vez, mais de 50% dos carros vendidos na China foram elétricos, gerando uma economia de US$ 28 bilhões em importações evitadas.
  • Sudeste Asiático: Vietnã (38%), Tailândia (21%) e Indonésia (15%) superaram potências como os EUA (10%) e o Japão (3%).
  • O caso brasileiro: Mesmo sendo um exportador de óleo bruto, o Brasil ainda importa gasolina e diesel. Em 2025, os elétricos representaram 9% das vendas no país, um índice superior ao japonês e fundamental para segurar a pressão inflacionária causada pela guerra.

A falácia da segurança fóssil

“O petróleo é o ponto fraco da economia mundial”, afirma Daan Walter, diretor da Ember. A cada aumento de US$ 10 no barril, a conta global de importações sobe US$ 160 bilhões. Com o Brent estacionado acima de US$ 100 devido à destruição de infraestruturas petrolíferas no Oriente Médio, os países que não eletrificarem suas frotas estarão “assinando um cheque em branco” para a instabilidade geopolítica.

Por que agora é diferente?

Ao contrário da crise do petróleo de 1970, hoje existe uma alternativa competitiva. Os veículos elétricos não são mais apenas um luxo sustentável; eles são economicamente sensatos. Em 2026, com o petróleo em patamares recordes (projeções do UBS elevadas de US$ 74 para US$ 100), o custo de manter um motor a combustão tornou-se um risco financeiro insustentável para governos e consumidores.

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