Um grupo de 1.900 cientistas membros das Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos (NASEM) lançou um alerta público denunciando os graves retrocessos à ciência e à pesquisa promovidos durante a gestão do ex-presidente Donald Trump. Segundo os signatários, o governo estaria promovendo uma verdadeira “aniquilação do empreendimento científico da nação”.
A carta, publicada nesta semana, aponta ações como:
- Censura de pesquisas, especialmente sobre mudanças climáticas e vacinas;
- Cancelamento de subsídios federais;
- Demitidos em massa de pesquisadores em agências como NASA, NOAA e FDA;
- Cortes orçamentários severos em instituições de pesquisa e universidades.
“Apesar das diferentes convicções políticas, estamos unidos na defesa da ciência independente. Este é um chamado de emergência”, diz o documento.
Censura e manipulação de resultados
Segundo os cientistas, o governo teria usado ordens executivas e ameaças financeiras para moldar quais estudos seriam financiados, publicados e acessíveis ao público. O resultado foi o abandono de pesquisas, a autocensura de termos científicos e a renúncia de especialistas, como a do Dr. Peter Marks, ex-diretor do Centro de Avaliação Biológica da FDA.
“Ficou claro que a verdade e a transparência não são bem-vindas. Só interessa confirmação subserviente das informações do Secretário”, afirmou Marks em sua carta de renúncia.
Impactos em saúde pública e pesquisa
O Secretário de Saúde e Serviços Humanos (HHS), Robert F. Kennedy Jr., anunciou planos para cortar 20 mil cargos, afetando diretamente órgãos como a FDA e os Centers for Disease Control and Prevention (CDC).
Além disso, o governo tentou dissolver o Escritório de Pesquisa e Desenvolvimento da Agência de Proteção Ambiental (EPA), demitindo mais de 1.100 cientistas, o que compromete o avanço de pesquisas essenciais, incluindo estudos sobre novos tratamentos médicos.
“SOS” da comunidade científica
Para o Dr. Robert Steinbrook, diretor do Health Research Group do think tank Public Citizen, o momento exige ação:
“Esse ‘SOS’ de 1.900 cientistas deve despertar nossas principais organizações científicas. Se elas não defenderem a ciência e a saúde pública, quem o fará?”
A NASEM, criada em 1863 durante o governo de Abraham Lincoln, reúne hoje mais de 6.800 membros eleitos, representando o que há de mais avançado na ciência norte-americana. A carta é um apelo para que a sociedade reconheça os riscos que a politização da ciência pode trazer não apenas à pesquisa, mas ao futuro da saúde e do meio ambiente.


