Um comício do Stand Up for Science no Civic Center Plaza em São Francisco, Califórnia, em 7 de março de 2025. Gabrielle Lurie / San Francisco Chronicle via Getty Images
Um comício do Stand Up for Science no Civic Center Plaza em São Francisco, Califórnia, em 7 de março de 2025. Gabrielle Lurie / San Francisco Chronicle via Getty Images

Mais de 1.900 cientistas alertam para ataques à ciência nos EUA durante governo Trump

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Um grupo de 1.900 cientistas membros das Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina dos Estados Unidos (NASEM) lançou um alerta público denunciando os graves retrocessos à ciência e à pesquisa promovidos durante a gestão do ex-presidente Donald Trump. Segundo os signatários, o governo estaria promovendo uma verdadeira “aniquilação do empreendimento científico da nação”.

A carta, publicada nesta semana, aponta ações como:

  • Censura de pesquisas, especialmente sobre mudanças climáticas e vacinas;
  • Cancelamento de subsídios federais;
  • Demitidos em massa de pesquisadores em agências como NASA, NOAA e FDA;
  • Cortes orçamentários severos em instituições de pesquisa e universidades.

“Apesar das diferentes convicções políticas, estamos unidos na defesa da ciência independente. Este é um chamado de emergência”, diz o documento.

Censura e manipulação de resultados

Segundo os cientistas, o governo teria usado ordens executivas e ameaças financeiras para moldar quais estudos seriam financiados, publicados e acessíveis ao público. O resultado foi o abandono de pesquisas, a autocensura de termos científicos e a renúncia de especialistas, como a do Dr. Peter Marks, ex-diretor do Centro de Avaliação Biológica da FDA.

“Ficou claro que a verdade e a transparência não são bem-vindas. Só interessa confirmação subserviente das informações do Secretário”, afirmou Marks em sua carta de renúncia.

Impactos em saúde pública e pesquisa

O Secretário de Saúde e Serviços Humanos (HHS), Robert F. Kennedy Jr., anunciou planos para cortar 20 mil cargos, afetando diretamente órgãos como a FDA e os Centers for Disease Control and Prevention (CDC).

Além disso, o governo tentou dissolver o Escritório de Pesquisa e Desenvolvimento da Agência de Proteção Ambiental (EPA), demitindo mais de 1.100 cientistas, o que compromete o avanço de pesquisas essenciais, incluindo estudos sobre novos tratamentos médicos.

“SOS” da comunidade científica

Para o Dr. Robert Steinbrook, diretor do Health Research Group do think tank Public Citizen, o momento exige ação:

“Esse ‘SOS’ de 1.900 cientistas deve despertar nossas principais organizações científicas. Se elas não defenderem a ciência e a saúde pública, quem o fará?”

A NASEM, criada em 1863 durante o governo de Abraham Lincoln, reúne hoje mais de 6.800 membros eleitos, representando o que há de mais avançado na ciência norte-americana. A carta é um apelo para que a sociedade reconheça os riscos que a politização da ciência pode trazer não apenas à pesquisa, mas ao futuro da saúde e do meio ambiente.

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