A sede da EPA está localizada no Triângulo Federal em Washington, DC. John Twynam / iStock / Getty Images Plus
A sede da EPA está localizada no Triângulo Federal em Washington, DC. John Twynam / iStock / Getty Images Plus

Juiz Federal impede que EPA de Trump revogue US$ 14 bilhões em subsídios climáticos

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A juíza distrital dos Estados Unidos, Tonya S. Chutkan, bloqueou temporariamente, na última terça-feira (19), a tentativa da Agência de Proteção Ambiental (EPA) sob a administração Trump de suspender US$ 14 bilhões em subsídios climáticos concedidos pelo governo Biden a três organizações ambientais. A decisão representa um revés importante na tentativa do governo Trump de reverter políticas climáticas implementadas por seu antecessor.

O bloqueio temporário ocorreu após a juíza considerar que as acusações apresentadas pela nova liderança da EPA, liderada por Lee Zeldin, careciam de fundamentos sólidos.

“As afirmações vagas e infundadas de fraude do governo são insuficientes”, destacou Chutkan em sua decisão, de acordo com informações da Associated Press.

Subsídios do Greenhouse Gas Reduction Fund

Os recursos suspensos integram o Greenhouse Gas Reduction Fund (Fundo de Redução de Gases de Efeito Estufa), uma iniciativa criada no âmbito do Inflation Reduction Act de 2022, legislação ambiental do governo Biden. O fundo, apelidado de “banco verde”, visa fomentar investimentos públicos e privados em tecnologias de energia limpa, especialmente em comunidades de baixa renda.

Três organizações receberam as verbas bloqueadas:

  • Climate United Fund – US$ 7 bilhões
  • Coalition for Green Capital – US$ 5 bilhões
  • Power Forward Communities – US$ 2 bilhões

Esses grupos estão entre os cinco principais beneficiários de um total de US$ 20 bilhões distribuídos pelo programa, segundo o The Washington Post.

Decisão judicial mantém recursos intactos

Além de suspender a decisão da EPA, Chutkan ordenou que o Citibank, responsável por custodiar os fundos, não transfira qualquer valor até que o caso seja julgado. A juíza reforçou que a EPA não apresentou justificativa suficiente para a revogação unilateral dos contratos de concessão assinados.

“Neste momento, os réus da EPA não explicaram suficientemente por que a rescisão unilateral dos subsídios concedidos pelos demandantes foi um precursor racional para a revisão do programa de banco verde”, escreveu Chutkan no parecer de 23 páginas.

A magistrada deixou claro que sua decisão não obriga a EPA a reverter a rescisão dos contratos de concessão, mas protege o cumprimento das leis e regulamentos que regem a administração de fundos públicos.

“O governo não pode simplesmente anular contratos e rescindir acordos sem seguir seus próprios regulamentos”, afirmou Chutkan em audiência anterior.

Objetivo do Banco Verde

O programa Greenhouse Gas Reduction Fund foi idealizado para impulsionar investimentos em energia renovável, como painéis solares e bombas de calor, com foco em comunidades vulneráveis. Segundo o Politico, o fundo busca reduzir emissões de gases de efeito estufa e promover a justiça climática.

“Coletivamente, já investimos mais de US$ 100 bilhões em iniciativas de desenvolvimento comunitário e criamos ou preservamos mais de 1,4 milhão de unidades habitacionais acessíveis”, relatou a Power Forward Communities à EPA ao apresentar seu plano de trabalho.

Acusações e contestação

Antes de suspender os subsídios, a nova administração da EPA, comandada por Lee Zeldin, alegou que as organizações beneficiadas haviam cometido fraude, má gestão e auto-negociação. No entanto, a juíza Chutkan considerou essas alegações infundadas até o momento.

Beth Bafford, CEO da Climate United Fund, classificou a decisão como uma vitória provisória:

“Esta é uma etapa na direção certa”, declarou Bafford. “Seguiremos trabalhando para viabilizar investimentos em projetos que gerem economia de energia, criem empregos e fortaleçam a indústria americana em comunidades de todo o país.”

O que vem a seguir?

O processo segue em tramitação, e a decisão atual não libera o uso dos recursos. Porém, impede que o governo federal recupere ou redirecione os fundos até que o caso seja analisado em profundidade.

A decisão judicial enfatiza a importância do cumprimento das leis e regulações federais, sobretudo em contratos de financiamento climático e projetos voltados à transição energética.

Fonte: University of California – Santa Barbara, The Washington Post, Associated Press, Politico.

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