Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Los Angeles, Califórnia, em 7 de fevereiro de 2024. David McNew / Getty Images
Laboratório de Propulsão a Jato da NASA em Los Angeles, Califórnia, em 7 de fevereiro de 2024. David McNew / Getty Images

Demissões na NASA sob Trump alertam para risco de retrocesso científico e estratégico

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A NASA demitiu 23 funcionários, incluindo sua cientista-chefe Katherine Calvin, uma reconhecida especialista em clima nomeada durante o governo do ex-presidente Joe Biden. Além das demissões, a agência espacial dos Estados Unidos fechou abruptamente o escritório de Calvin e outros dois departamentos no dia 10 de março, segundo informações publicadas pela revista Nature. Com essas mudanças, a NASA perde a capacidade de fornecer aos seus principais líderes aconselhamento científico independente, o que tem gerado forte preocupação entre especialistas e parlamentares.

Zoe Lofgren, deputada democrata pela Califórnia e membro sênior do Comitê da Câmara sobre Ciência, Espaço e Tecnologia, afirmou ao The New York Times que a decisão é “míope e extremamente alarmante”. Para ela, trata-se de mais um episódio do que classificou como “o ataque de Trump à ciência”. Em suas palavras, “se você queria um manual sobre como perder para a China em todas as corridas tecnológicas, é isso”.

Em um e-mail enviado a toda a agência, a administradora interina da NASA, Janet Petro, mencionou que a medida está sendo encarada como “uma oportunidade de reformular nossa força de trabalho”, conforme destacou a Nature. As demissões fazem parte de cortes mais amplos no governo federal liderados pelo presidente Donald Trump, com apoio de seu conselheiro sênior Elon Musk e do recém-criado Departamento de Eficiência Governamental (DOGE). A NASA foi a primeira agência do governo a demitir preventivamente funcionários de carreira, em vez de colaboradores em período probatório.

Os escritórios fechados pelo DOGE incluem o Gabinete dos Cientistas Chefes, o Gabinete de Tecnologia, Política e Estratégia e a divisão de diversidade, equidade, inclusão e acessibilidade do Gabinete de Diversidade e Igualdade de Oportunidades. O fechamento desta última estrutura segue a ordem executiva assinada por Trump em 20 de janeiro, que determinou o fim de iniciativas de diversidade, equidade e inclusão em todo o governo federal.

De acordo com Cheryl Warner, porta-voz da NASA, a decisão de promover uma “redução de força”, conhecida como RIF (Reduction in Force), foi tomada “para otimizar nossa força de trabalho e em conformidade com a ordem executiva”. Em comunicado ao The New York Times, ela explicou que “um pequeno número de indivíduos recebeu notificação na segunda-feira de que fazem parte do RIF da NASA”.

Os outros dois escritórios fechados eram responsáveis por conectar estratégias entre diferentes departamentos e divisões da agência, além de oferecer aconselhamento em questões de ciência e tecnologia diretamente ao administrador-chefe da NASA. Com o encerramento dessas funções, a agência perde uma importante estrutura de planejamento estratégico, como alertou um membro da equipe da NASA, que preferiu manter o anonimato por receio de retaliações, conforme relatado pela Nature.

As mudanças também foram criticadas por Grant Tremblay, astrofísico do Harvard and Smithsonian Center for Astrophysics. Em publicação na rede social X (antigo Twitter), Tremblay afirmou que a NASA, embora seja uma agência pequena, é “sem dúvida a mais lendária e globalmente amada na história americana”. Ele alertou que “sua destruição começou, e os cortes que virão são tão grandes que não a reconheceremos em um ano”.

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