Lixo eletrônico entre a ameaça ao meio ambiente e o desperdício de dinheiro

No mês do Meio Ambiente, o Rota Verde destaca a pouca mobilização para o setor em Campos

Com o objetivo conscientizar a sociedade e influenciá-la a adotar posturas mais ativas e críticas em relação aos problemas ambientais do planeta, o Dia Mundial do Meio Ambiente (05/06) foi criado durante a Conferência de Estocolmo em 1972. Mas será que o alerta dado há 50 anos vem sendo seguido pela humanidade? Quando se trata da destinação correta do lixo eletrônico a resposta na maioria das vezes é não.

No Norte Fluminense está Campos dos Goytacazes, a maior cidade do interior do Rio de Janeiro. Polo comercial e de serviços, além de uma cidade universitária, o município parece caminhar a passos lentos no trabalho de mobilização e recolhimento do lixo eletrônico.

“Sentimos falta de uma grande mobilização nesse setor, seja governamental, ou mesmo da própria comunidade, porque muitos desses materiais que poderiam ser reciclados, estão seguindo para o aterro sobrecarregando o espaço e deixando de gerar emprego e renda”, destacou o empresário Fabiano Barbosa, proprietário da Caparaó Reciclagem, que atua em Campos e região.

Ambientalistas alertam que o descarte correto desse tipo de material é essencial para evitar a poluição e a contaminação do meio ambiente e das pessoas. Isso porque para fabricar equipamentos eletrônicos são usados dezenas de materiais e elementos químicos, a exemplo do mercúrio, berílio, chumbo ou lítio, altamente prejudiciais à saúde humana, de plantas e animais.

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O descarte tem que ser feito em locais adequados, com todo licenciamento ambiental.
“Na Caparaó temos todo o licenciamento exigido dos órgãos ambientais. Recolhemos resíduos eletrônicos de empresas e geramos uma declaração ambiental. A maior parte do material que chega no galpão vem da venda de catadores, ou mesmo, outras empresas do setor de reciclagem”, comentou Fabiano.

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Campos (ACIC) Leonardo Castro de Abreu destacou que é necessária uma campanha para incentivar o descarte de lixo eletrônico.

“É um trabalho que pode gerar mais um mercado de emprego. Precisa de campanha educativa para incentivar o descarte. A ACIC se coloca à disposição para ser um ponto de coleta, visando preservar o Meio Ambiente, que vem pedindo socorro”, afirmou por meio de nota.

Questionada sobre as políticas públicas de acompanhamento do lixo eletrônico no município, a Prefeitura de Campos informou “exerce a ação de controle ambiental por meio da fiscalização e do licenciamento ambiental de atividades industriais e não industriais”. Porém não especificou de que forma fiscaliza o que estes setores fazem com o lixo eletrônico.

A nota, referenciada ao subsecretário de Meio Ambiente Renê Justen, também não fala sobre como ocorre a mobilização da sociedade no descarte de eletrônicos, informando apenas que a subsecretaria, por meio do Programa Municipal de Educação Ambiental (ProMEA), desenvolve a interação com outras secretarias e programas que visam consolidar políticas ambientais públicas a serem transformadas em programas de governo. Os interessados em dispensar corretamente eletrônicos em desuso podem fazer isto na sede da Caparaó Reciclagem, que fica na Avenida Silvio Bastos Tavares (BR 101), 116, no Parque Leopoldina. Alguns materiais são descarte e outros, a empresa paga por eles. O recolhimento também ocorre em empresas e mais informações podem ser obtidas pelo 22 99945-2060. Já a Prefeitura de Campos atualmente conta com quatro pontos públicos de coleta de lixo eletrônico.

Veja onde estão:

*Centro de Educação Ambiental Prata Tavares – na Avenida José Carlos Pereira Pinto, 300, no Parque Calabouço -,
*Horto Municipal – na Avenida Alberto Lamego, em frente à Escola Técnica Estadual João Barcelos Martins
*Estande do Meio Ambiente na Praia do Farol de São Thomé – na Avenida Olavo Saldanha (Beira-Mar),
*PEVE da Penha – na Avenida Dr Milton Guaraná, na Penha.

Firjan recomenda o estímulo permanente à adesão de práticas de sustentabilidade

Mais de 53 milhões de toneladas de equipamentos eletroeletrônicos e pilhas são descartadas em todo o mundo, segundo dados levantados, em 2020, pelo The Global E-waste Monitor. Na outra ponta, o número de dispositivos, no mundo, cresce cerca de 4% por ano. Apenas o Brasil descartou, em 2019, mais de 2 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos, sendo que menos de 3% foram reciclados, de acordo com um relatório desenvolvido pela Universidade das Nações Unidas.

Uma publicação feita pela Associação Brasileira de Empresas Usuárias e Fornecedoras de Tecnologias para Gerenciamento de Informação (ABEINFO) aponta que a pandemia “agudizou o quadro, reduzindo o ciclo de vida dos dispositivos eletrônicos, muitos trocados nos últimos dois anos”.

No estado do Rio de Janeiro, nem mesmo o “Mapeamento dos Fluxos de Recicláveis Pós-Consumo no Estado”, realizado e divulgado pela Federação das Indústrias (Firjan), tem dados específicos sobre a geração de e-waste (termo em inglês usado para lixo eletrônico).

Porém, o mapeamento revelou, no geral, o quanto o Norte Fluminense perde anualmente em materiais que poderiam seguir o caminho da reciclagem e gerar recursos para os municípios, algo avaliado em R$ 43,1 milhões. A estimativa é de que a região enviou para o aterro 98 mil toneladas de resíduos que poderiam seguir para reciclagem em vez de serem depositados em aterros sanitários.

“A Firjan recomenda o estímulo permanente à adesão de práticas de sustentabilidade nas empresas. Este é um processo que necessita de uma ampla rede de colaboração envolvendo todos os segmentos da sociedade. É preciso, por exemplo, criar incentivos para a segregação do reciclável na origem, desburocratizar as atividades relacionadas à reciclagem e desenvolver ações para a formalização dos atores dessa cadeia, de modo a atrair novos investimentos no setor, e gerando assim, benefícios não só ambientais, como também sociais e econômicos”, destacou o presidente da Firjan Norte Fluminense, Francisco Roberto de Siqueira.

Decreto prevê 5 mil pontos de coleta no Brasil até 2025

De acordo com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Brasil caminha para ampliar o descarte adequado e o reaproveitamento do lixo a partir do Sistema de Logística Reversa, criado pelo Governo Federal em 2020. O órgão aponta que a reciclagem de eletroeletrônicos, por exemplo, vem crescendo ano a ano a partir da inauguração de pontos de coleta desses materiais em 11 capitais brasileiras.

Com a abertura dos chamados ecopontos, a coleta de eletroeletrônicos cresceu de maneira significativa, segundo o Governo Federal. Enquanto em 2019 foram recolhidas pouco mais de 16 toneladas desse material, em 2020 esse número passou para 105 toneladas e, em 2021, mais de 1,2 mil toneladas de lixo eletrônico foram recolhidos e deixaram de ser descartados no meio ambiente.

O sistema deve ser implantado, até 2025, nos 400 maiores municípios do país. O cronograma é gradativo. As cidades deverão ter, no mínimo, um ponto para cada 25 mil habitantes. A previsão do Governo Federal, é que em três anos existam cerca de 5 mil pontos de coleta no Brasil.

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Logística Reversa

Em janeiro de 2022, foi publicado decreto presidencial que instituiu o Programa Nacional de Logística Reversa. A iniciativa prevê garantir melhor comunicação aos cidadãos sobre os pontos de entrega voluntária para o descarte adequado de resíduos, assegurando a rastreabilidade por meio de integração ao Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos, o Sinir+.

Ainda de acordo com o Governo Federal, a política de incentivo à logística reversa é parte das ações do programa Lixão Zero, que aposta no reaproveitamento e na reciclagem como solução para acabar com um grande problema enfrentado pelas cidades: a destinação do lixo.

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