O presidente Donald Trump afirmou que pretende reestruturar a Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA) “como ela existe hoje”, transferindo a responsabilidade pela resposta a desastres e reconstrução diretamente aos estados norte-americanos. O anúncio foi feito na última terça-feira (10), durante uma coletiva acompanhada de sua equipe de segurança nacional e amplamente repercutido pela CNN e pelo The Hill.
A proposta visa reduzir significativamente o papel do governo federal na gestão de emergências, limitando a atuação da FEMA a situações extremamente catastróficas, como grandes furacões ou terremotos. “Queremos nos livrar da FEMA e reduzir tudo para o nível estadual”, afirmou Trump. “Se um governador não consegue lidar com um desastre, talvez não devesse ser governador.”
Ajuda federal sob nova lógica
Segundo Trump, a ideia é que a ajuda financeira seja distribuída diretamente a partir do gabinete presidencial, em vez de seguir os trâmites tradicionais da FEMA. Ele citou como exemplo um caso recente no qual um estado requisitou US$ 120 milhões em ajuda, mas recebeu apenas US$ 71 milhões. “Ficaram satisfeitos”, disse o ex-presidente, sinalizando uma possível contenção de recursos federais para emergências locais.
Kristi Noem, secretária de Segurança Interna e aliada de Trump, tem sido uma das principais defensoras dessa reestruturação. “Estamos preparando os governadores para que eles tenham mais controle e autonomia sobre suas respostas a desastres”, declarou. Ela também confirmou que está sendo articulada uma rede interestadual de ajuda mútua, que permitirá que os próprios estados se apoiem em tempos de crise.
Conselho de Revisão e críticas da comunidade técnica
A proposta inclui a atuação de um novo Conselho de Revisão da FEMA, copresidido por Noem e o secretário de Defesa, Pete Hegseth. O grupo tem como objetivo reformular completamente a missão da agência, sugerindo cortes de escopo e redução do número de operações sob sua alçada.
Entretanto, líderes e especialistas em gestão de emergências demonstraram forte preocupação com a iniciativa. Para um dirigente da FEMA ouvido pela CNN, “a descentralização total da resposta a desastres representa uma abdicação da responsabilidade federal e desconsidera os limites orçamentários e operacionais dos estados”.
A FEMA tem sido, historicamente, a espinha dorsal da resposta nacional a furacões, enchentes, incêndios florestais e outros eventos climáticos extremos. Muitos especialistas alertam que, sem o suporte federal, desastres de grande escala poderiam levar estados ao colapso financeiro e operacional.

Temporada de furacões preocupa especialistas
A proposta de Trump surge em meio à temporada de furacões de 2025, considerada pela NOAA como uma das mais ativas das últimas décadas, com até 19 tempestades nomeadas previstas. A FEMA, por sua vez, enfrenta um momento de fragilidade institucional: perdeu 10% de sua força de trabalho desde janeiro e pode encerrar o ano com quase 30% de evasão funcional, reduzindo seu quadro de 26 mil para cerca de 18 mil funcionários.
Para tentar mitigar o impacto dessa debandada, a administração Trump reabriu centros de treinamento da FEMA e estendeu contratos de emergência para servidores que atuam em campo. No entanto, medidas como o fim do atendimento presencial porta a porta e o aumento do limite de danos para que comunidades se qualifiquem para ajuda federal estão em avaliação, o que deve dificultar o acesso ao auxílio para populações mais vulneráveis.
“Não funcionou bem”, disse Trump sobre a atuação histórica da FEMA. “É extremamente caro. Quando há um furacão ou tornado, é para isso que existem governadores. Eles que resolvam.”


