Um tornado sobre Roma, Itália, em 9 de dezembro de 2021. Antonio Masiello / Getty Images
Um tornado sobre Roma, Itália, em 9 de dezembro de 2021. Antonio Masiello / Getty Images

Custos com desastres climáticos podem ultrapassar US$ 145 bilhões em 2025, alerta análise global

Compartilhe:

Os desastres naturais continuam a registrar impactos financeiros alarmantes. De acordo com uma nova análise do Swiss Re Institute, as perdas seguradas por catástrofes climáticas ao redor do mundo podem atingir US$ 145 bilhões em 2025, impulsionadas majoritariamente por perigos secundários, como inundações, incêndios florestais e tempestades severas.

Crescimento consistente dos prejuízos

Esse cenário segue uma tendência de crescimento anual de 5% a 7%, de acordo com o relatório Natural catastrophes: insured losses trend to USD 145 billion in 2025. A pesquisa também adverte que os “perigos primários” — como terremotos e furacões — continuam sendo os maiores causadores de perdas em anos de pico, podendo ultrapassar os US$ 300 bilhões em danos segurados.

Em 2025, incêndios florestais em Los Angeles já geraram perdas seguradas de US$ 40 bilhões, segundo o instituto. O número é expressivo para um risco classificado como secundário.

“Quando um furacão severo ou um grande terremoto atinge uma área urbana densamente povoada, as perdas seguradas podem dobrar a média histórica”, afirma o chefe de riscos catastróficos da Swiss Re, Balz Grollimund.

Urbanização e mudanças climáticas agravam o cenário

A intensificação dos desastres naturais está diretamente relacionada a fatores como o crescimento populacional, a expansão econômica e a ocupação urbana em áreas vulneráveis. Além disso, os efeitos das mudanças climáticas estão agravando a frequência e a severidade dos fenômenos climáticos extremos.

Eventos como o furacão Andrew, que em 1992 causou perdas seguradas de US$ 35 bilhões, hoje poderiam gerar um impacto próximo a US$ 100 bilhões devido à urbanização e ao aumento do valor dos ativos em risco. Por outro lado, o impacto do furacão Katrina em um cenário atual seria menor em termos de destruição, graças a melhorias nas defesas contra inundações e à redução populacional em áreas críticas, mas ainda com US$ 100 bilhões em perdas estimadas.

Estados Unidos: epicentro das perdas

Em 2024, os Estados Unidos responderam por 80% das perdas seguradas por desastres naturais no mundo, dada sua exposição a furacões, terremotos, incêndios florestais, tempestades severas e inundações.

Estados como Texas, Flórida, Califórnia, Colorado e Louisiana concentram metade das perdas catastróficas do país. Na Flórida, os prêmios de seguro por residência são o dobro da média nacional devido ao risco de furacões. Já na Califórnia, os incêndios florestais explicam os altos custos em regiões específicas.

Barcos danificados pelo furacão Ian na Ilha de San Carlos, Flórida, em 15 de outubro de 2022. Estima-se que a tempestade de categoria 4 tenha causado mais de US$ 60 bilhões em perdas para seguradoras privadas apenas na Flórida. Thomas O’Neill / NurPhoto via Getty Images

A urgência da prevenção e da colaboração público-privada

Diante do aumento contínuo das perdas e da imprevisibilidade climática, medidas preventivas e infraestruturas resilientes se tornaram essenciais. O Swiss Re Institute destaca que estruturas de contenção como diques, barragens e comportas são até 10 vezes mais econômicas do que os custos de reconstrução após um desastre.

“A colaboração entre setores público e privado é vital para reduzir perdas e garantir a resiliência das comunidades. Um setor de resseguros capitalizado, com US$ 500 bilhões, é um amortecedor crucial para a recuperação econômica”, afirmou Jérôme Haegeli, economista-chefe da Swiss Re.

Tendência de alta e necessidade de adaptação

O relatório reforça que anos de pico, como 2017 — marcado pelos furacões Irma, Harvey e Maria — não devem mais ser considerados exceções. A realidade imposta pelas mudanças climáticas exige planejamento proativo, políticas públicas efetivas e inovação no setor de seguros.

“A exposição ao risco é o principal fator de impacto nos custos de seguro. Reduzir essa exposição é a única forma de manter a viabilidade do setor de transferência de risco no longo prazo”, conclui a análise.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *