Incêndio em um depósito de petróleo no Irã após ataques em 8 de março. A infraestrutura energética tem sido alvo de intensos ataques desde o início da guerra, no final de fevereiro. / Crédito da imagem: Anadolu/Getty Images
Incêndio em um depósito de petróleo no Irã após ataques em 8 de março. A infraestrutura energética tem sido alvo de intensos ataques desde o início da guerra, no final de fevereiro. / Crédito da imagem: Anadolu/Getty Images

Reino Unido pressiona G7 por renováveis como escudo contra o “choque do petróleo”

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O cenário de guerra no Oriente Médio e o bloqueio do Estreito de Ormuz ressuscitaram o fantasma das crises de 1973 e 1979, mas com uma diferença crucial: a queda na oferta global de petróleo hoje já é de 8% — superando os 5% registrados na década de 70. Diante deste colapso, o Reino Unido assumiu uma postura ofensiva no G7, defendendo que a única forma real de garantir a segurança nacional é acelerar a transição para energias limpas.

A Chanceler do Tesouro britânica, Rachel Reeves, e o secretário de Energia, Ed Miliband, reuniram-se com os ministros das maiores economias do mundo (G7) nesta segunda-feira (30/03) para enviar um recado claro: a dependência do petróleo é um risco econômico e militar insustentável.

Renovável como garantia de paz

Para o governo de Keir Starmer, a resposta não está em novas licenças de exploração de petróleo e gás, como sugerem os partidos conservadores, mas na autonomia gerada pela energia eólica, solar, nuclear e tecnologias de armazenamento.

“A energia renovável promete uma fonte segura e inesgotável. Ela não nos leva a travar guerras perigosas e muitas vezes equivocadas em terras distantes”, avalia Michael Mann, diretor do Centro Penn para Ciência e Sustentabilidade.

O contraste Alemão: O fantasma do carvão

Enquanto Londres prega o futuro verde, Berlim ensaia um retrocesso pragmático. Sob o governo do chanceler Friedrich Merz, a Alemanha — que também integra o G7 — avalia reativar centrais elétricas a carvão de reserva. O objetivo é tentar conter a explosão nos preços da energia que castiga a indústria alemã. A medida, embora vista como temporária, acende o sinal de alerta sobre a coerência climática do bloco europeu em tempos de guerra.

A queda de uma falácia

A crise de 2026 parece ter enterrado de vez o argumento de que combustíveis fósseis trazem “segurança energética”. Com danos físicos à infraestrutura petrolífera no Irã e incertezas sobre a reabertura de rotas marítimas, os preços devem permanecer elevados por meses, mesmo que o conflito cesse amanhã.

Para especialistas, o momento atual é pedagógico: a volatilidade do mercado de petróleo, agora agravada pelas políticas de Donald Trump no Oriente Médio, prova que a soberania de um país depende da sua capacidade de gerar energia dentro de suas próprias fronteiras, sem depender de “gargalos” geopolíticos.

Fonte: Live Science / DW / Guardian / Financial Times

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