Reciclagem da Prata: reaproveitamento de rejeitos da fotografia promove sustentabilidade ambiental

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A indústria fotográfica é conhecida pela utilização de prata no processo de revelação de fotografias, o que gera uma quantidade significativa de rejeitos e faz com que o material seja descartado sem um aproveitamento adequado. Essa situação não era diferente no Instituto de Arte e Comunicação Social (IACS) da Universidade Federal Fluminense (UFF), no Laboratório Fotográfico, até que os professores Wagner Felippe Pacheco, Felipe Silva Semaan, Rafael Machado Dornellas, Fábio Grandis Lepri, a mestranda Taissa da Silva Cabral e a doutoranda Suellen Fabricia Lima do Nascimento, que já tinham um projeto vigente sobre reciclagem de metais, começaram a desenvolver ideias para reutilizar o resíduo.

As vantagens de usar o método desenvolvido pelos pesquisadores envolvem o custo reduzido pela utilização de rejeitos por meio de uma técnica analítica e, principalmente, a preservação ambiental. Os íons de prata, que são tóxicos e cancerígenos, caso jogados em esgotos, por exemplo, vão se acumulando ao longo da cadeia alimentar, começando pela ingestão de prata pelos micro-organismos, passando para os peixes, e até chegar aos seres humanos. Dessa maneira, é possível notar a contaminação pelo acúmulo da prata em todos os níveis; porém, com a técnica usada pelos pesquisadores da UFF, o aproveitamento sustentável do material é uma maneira de impedir a intoxicação generalizada.

Para dar uma finalidade a essa prata, foi desenvolvido um método baseado em uma aplicação analítica do rejeito, com uso da voltametria. “Uma das aplicações da química analítica é fazer a quantificação de espécies. E, nesse caso específico, tínhamos uma técnica instrumental, que se chama voltametria. Sobre a superfície de um eletrodo, vai acontecer uma reação redox e, com base na intensidade dessa reação, quantificamos uma espécie”, explica Wagner.

De acordo com o professor, “quando você produz nanopartículas metálicas e as adere à superfície do eletrodo, a resposta analítica melhora. Se você tem uma resposta analítica melhor, significa que você consegue determinar concentrações mais baixas das espécies”. Com isso, em vez de comprar uma solução de prata para fazer a nanopartícula, um material que antes era inutilizado pelo IACS pode ser reaproveitado.

Com o objetivo de comparar a melhora do sensor analítico criado no Departamento de Química Analítica (GQA), foram usadas em um experimento a prata padrão, a prata de chapas fotográficas e a prata proveniente de soluções de revelação fotográfica produzidas no Laboratório de Artes da UFF. O resultado dessa comparação, em todos os casos, foi a presença da resposta analítica. Nesse caso, o pesquisador relata: “não conseguimos um resultado tão bom quanto se fosse com prata pura, mas conseguimos um resultado muito bom também com isso. Construímos um sensor, que foi o eletrodo, que tinha uma melhoria analítica usando o lixo para fazer isso. Nós consideramos um resultado muito bom”.

Segundo o professor, uma vertente do grupo que realizou a pesquisa é proporcionar diferentes aplicações em materiais que antes seriam considerados lixo e tentar transformá-los em alguma coisa que seja útil para a sociedade. “Gostaria de trabalhar no sentido de tentar melhorar e maximizar o uso dos nossos recursos em todos os aspectos possíveis. Ter um uso mais consciente e mais otimizado daquilo que nós produzimos, daquilo que nós jogamos fora. Acho que essa é muito a ideia desse trabalho”, conclui Wagner.

Para conhecer mais sobre a pesquisa, o artigo “Epoxy/Graphite Composite Electrode Modified with Recycled Silver Nanoparticles: An Eco-Friendly Strategy to Improve Lead Detection” basta clicar aqui.

Para ler a tese “Desenvolvimento de eletrodos à base de negro de carbono e modificação eletroquímica com nanopartículas utilizando prata reciclada”, de Suellen Fabricia Lima do Nascimento, orientada pelo professor Wagner Felippe Pacheco, acesse nesse link.

Fonte: Assessoria de Imprensa UFF
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