Usina Solar Térmica CGN Delingha - Sistema de Armazenamento de Energia Térmica de Sal Fundido, um projeto de armazenamento de energia de 50 MW na Prefeitura Autônoma Mongol e Tibetana de Haixi, Província de Qinghai, China, em 15 de abril de 2025. Ma Mingyan / China News Service / VCG via Getty Images
Usina Solar Térmica CGN Delingha - Sistema de Armazenamento de Energia Térmica de Sal Fundido, um projeto de armazenamento de energia de 50 MW na Prefeitura Autônoma Mongol e Tibetana de Haixi, Província de Qinghai, China, em 15 de abril de 2025. Ma Mingyan / China News Service / VCG via Getty Images

Mundo bate recorde de demanda por energia com renováveis e fósseis em alta, aponta relatório

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Pela primeira vez desde 2006, todas as principais fontes de energia — petróleo, gás natural, carvão, energia nuclear, hidrelétrica, solar e eólica — registraram crescimento simultâneo em 2024, de acordo com o relatório anual do Energy Institute (EI), com sede em Londres. O dado revela um cenário de transição energética marcado por avanços tecnológicos e contradições estruturais.

Segundo a 74ª edição do relatório Statistical Review of World Energy, a demanda global por energia subiu 2% e atingiu um patamar histórico de 592 exajoules. Embora a energia solar e eólica tenham crescido 16% no ano — quase nove vezes mais do que a média da demanda total — os combustíveis fósseis também aumentaram em mais de 1%, mantendo 60% da fatia de suprimento energético.

“Nenhum país influenciou mais essa tendência do que a China”, destacou o CEO do EI, Dr. Nick Wayth. O país asiático foi responsável por 57% das novas adições de energia renovável, mas ainda gera 60% de sua eletricidade a partir do carvão, mantendo-se como a maior emissora global de carbono.

Uma transição energética ambígua

Apesar do crescimento vigoroso das fontes limpas, a combinação com o aumento geral da demanda — especialmente nas economias em desenvolvimento — impediu uma queda nas emissões. Pelo quarto ano consecutivo, as emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) bateram recordes, crescendo 1% em relação a 2023.

“O crescimento das energias renováveis está acelerando, mas não na mesma velocidade que o consumo de energia. Isso reflete uma transição marcada tanto por progresso quanto por desordem”, comentou Andy Brown, presidente do Energy Institute.

A eletrificação do consumo segue como tendência dominante, com a demanda por eletricidade crescendo 4% — o dobro da média energética global —, indicando uma transformação estrutural em curso no sistema energético mundial.

Energia solar deve ultrapassar eólica até 2026

Entre as fontes renováveis, a energia solar continua como destaque. Em 2024, a geração fotovoltaica subiu quase 28% e, se mantiver o ritmo, deve ultrapassar a produção eólica até 2026, conforme projeções do EI.

Mesmo com o avanço tecnológico, o contexto político e geopolítico do último ano trouxe novos obstáculos. “A segurança energética, o acesso a recursos e a soberania tecnológica passaram a ter prioridade sobre as metas climáticas”, afirmou Romain Debarre, do Energy Transition Institute.

Um alerta à ação

Para Debarre, a combinação de recordes de emissões e aumento das temperaturas em 2024 evidencia a urgência da ação climática:

“Temos o conhecimento, as tecnologias e as estratégias para implementar uma transição segura, integrada e centrada nas pessoas. Agora é hora de transformar promessas em ação real.”

O relatório do Energy Institute reforça que a trajetória da transição energética global continua incerta, impulsionada por decisões políticas, avanços tecnológicos e pressões econômicas. No centro desse cenário, a China permanece como o maior agente de transformação — e também o maior desafio.

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