Um braço mecânico de um robô instala painéis solares no canteiro de obras de um projeto de energia fotovoltaica em Jiuquan, província de Gansu, na China, em 15 de dezembro de 2024. Cao Hongzu / VCG via Getty Images
Um braço mecânico de um robô instala painéis solares no canteiro de obras de um projeto de energia fotovoltaica em Jiuquan, província de Gansu, na China, em 15 de dezembro de 2024. Cao Hongzu / VCG via Getty Images

Fontes limpas superam 40% da geração global de eletricidade em 2024, aponta relatório

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Em 2024, a geração de eletricidade com energia limpa e de baixo carbono atingiu um marco histórico: 40,9% da produção global de energia elétrica veio de fontes renováveis e não emissoras de carbono, como solar, eólica, hidrelétrica e nuclear. Os dados são do Global Electricity Review 2025, relatório anual publicado pela organização independente Ember, especializada em transição energética.

O resultado representa um avanço em relação a 2023, quando as fontes limpas compuseram 39,4% da matriz elétrica global. De acordo com o levantamento, os maiores destaques foram as energias solar (7%) e eólica (8%), seguidas pela hidrelétrica (14%), nuclear (9%) e outras renováveis (3%).

Energia solar lidera a transformação energética

A energia solar vem consolidando seu papel como a principal protagonista da transição energética. Segundo a Ember, 2024 foi o 20º ano consecutivo em que a energia solar foi a fonte de eletricidade de crescimento mais rápido no mundo. Nos últimos três anos, sua produção mais do que dobrou, superando 2.000 terawatts-hora (TWh).

“A energia solar se tornou o motor da transição energética global. Combinada com o armazenamento em baterias, ela é uma força imparável”, destacou Phil MacDonald, diretor da Ember.

A China foi responsável por 53% do crescimento da energia solar no mundo em 2024, quebrando recordes em novas instalações solares e eólicas pelo segundo ano consecutivo.

Crescimento da demanda elétrica pressiona matriz energética

Apesar dos avanços na energia limpa, o relatório alertou que a demanda global por eletricidade aumentou 4% em 2024, acima do crescimento de 2,6% registrado em 2023. O aumento foi impulsionado por fatores como as ondas de calor extremas, o avanço da inteligência artificial, a expansão dos data centers e o crescimento da frota de veículos elétricos.

Esse cenário levou a um aumento de 1,4% na geração a partir de combustíveis fósseis, e as emissões globais de CO₂ do setor elétrico atingiram 14,6 bilhões de toneladas, um novo recorde. As altas temperaturas registradas em 2024 — o ano mais quente já documentado — foram apontadas como as principais responsáveis por essa elevação.

“O calor extremo mascarou o progresso real”, observou MacDonald. “Sem as ondas de calor, o aumento na geração fóssil teria sido quase nulo.”

Energia limpa deve atender demanda tecnológica no futuro

Outro ponto de destaque do relatório foi a análise da crescente demanda por eletricidade impulsionada por tecnologias emergentes como IA, EVs e data centers, que contribuíram com 0,7% do aumento da demanda global. No entanto, a Ember projeta que a expansão das fontes limpas, especialmente solar e eólica, será suficiente para suprir esse novo consumo.

“A expectativa de que os combustíveis fósseis vão continuar crescendo está cada vez mais distante da realidade”, afirmou MacDonald. “As fontes renováveis estão mais do que prontas para suprir as necessidades energéticas da era digital.”

Caminho para uma matriz mais limpa e resiliente

A transição energética global segue em curso, e o relatório da Ember reforça que a energia solar e eólica serão os pilares da eletrificação mundial nos próximos anos. Embora os combustíveis fósseis ainda desempenhem um papel na matriz, o avanço das tecnologias limpas — aliado à redução de custos, políticas públicas e maior consciência ambiental — pode acelerar a redução de emissões e garantir um fornecimento de energia mais resiliente, acessível e sustentável.

Para 2025, a expectativa é que o crescimento das renováveis continue superando o uso de fósseis, especialmente em mercados como Europa, China, Índia e Estados Unidos, onde os investimentos em energia limpa seguem crescendo.

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