Uma pista de "impacto cósmico" no gelo da Groenlândia pode, na verdade, ser precipitação vulcânica da própria Terra. Crédito: Shutterstock
Uma pista de "impacto cósmico" no gelo da Groenlândia pode, na verdade, ser precipitação vulcânica da própria Terra. Crédito: Shutterstock

Mistério da Era do Gelo: Ciência descarta cometa e aponta vulcões como culpados por resfriamento súbito

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Por anos, um sinal químico “alienígena” escondido nas profundezas do gelo da Groenlândia alimentou uma teoria cinematográfica: a de que um cometa teria atingido a Terra há 12.800 anos, mergulhando o planeta em um frio ártico repentino. No entanto, uma nova investigação publicada no The Conversation acaba de dar um “banho de água fria” nessa hipótese, revelando que a origem do mistério é, na verdade, vulcânica.

O foco da discórdia era um pico de platina encontrado em núcleos de gelo milenares. Como a platina é rara na crosta terrestre, mas comum em rochas espaciais, muitos acreditaram na tese do impacto. Mas os novos dados mostram que a “assinatura” desse metal combina muito mais com as erupções fissurais da Islândia.

O Enigma do “Dryas Recente”

O sinal químico aparece exatamente no início do Dryas Recente, um período de 1.200 anos em que o Hemisfério Norte congelou novamente, logo após o fim da última era glacial.

  • O inverno vulcânico: Em vez de uma explosão vinda do espaço, os cientistas agora acreditam que uma sequência de erupções massivas na Alemanha (vulcão Laacher See) ou na Islândia lançou tanto enxofre na atmosfera que a luz solar foi bloqueada, resfriando o planeta.
  • A prova no gelo: O pico de platina durou cerca de 14 anos seguidos. Um impacto de cometa seria um evento único e súbito, enquanto erupções vulcânicas na Islândia podem durar décadas, depositando metais no gelo de forma contínua.

Por que isso importa hoje?

Entender o que causou o Dryas Recente é vital para a segurança climática atual. O estudo mostra que o sistema da Terra, quando está em uma transição delicada (como a que vivemos hoje com o aquecimento global), pode sofrer mudanças abruptas com um “empurrãozinho” externo.

O derretimento das calotas polares há 12 mil anos reduziu a pressão sobre a crosta terrestre, o que pode ter estimulado a atividade vulcânica. É um lembrete de que o clima e a geologia estão conectados em um equilíbrio frágil.

O fim da teoria do impacto?

Embora a teoria do cometa ainda tenha defensores (baseada em pequenas esferas de rocha derretida), a explicação vulcânica é muito mais sólida quimicamente. A platina encontrada não veio com o irídio (outro metal espacial), o que descarta o meteorito. “A explicação mais simples, baseada nas evidências, aponta para os vulcões”, concluem os pesquisadores.

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