© Fernando Frazão/Agência Brasil
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Mata Atlântica: Desmatamento cai para nível recorde, mas alerta legislativo persiste

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Pela primeira vez em 40 anos, perda de florestas maduras fica abaixo de 10 mil hectares; Bahia e Minas Gerais ainda lideram ranking de destruição.

O bioma mais ameaçado do país respira com um pouco mais de alívio. Dados do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atlântica revelam que a área desmatada no bioma recuou 28% em 2025, totalizando 38.385 hectares, contra os mais de 53 mil registrados no período anterior. A trajetória de desaceleração confirma que o rigor na fiscalização e a pressão da sociedade civil estão gerando resultados concretos.

O marco das florestas maduras

O dado mais expressivo vem do Atlas dos Remanescentes Florestais, realizado em parceria com o INPE. O monitoramento focado em florestas maduras — aquelas que abrigam a maior biodiversidade e estoques de carbono — registrou uma queda de 40%. Com 8.668 hectares perdidos, esta é a primeira vez, desde o início da série histórica em 1985, que o desmatamento anual de matas primárias fica abaixo de 10 mil hectares.

Os vilões e as causas

Apesar da melhora geral, a destruição segue concentrada. Apenas quatro estados respondem por 89% da área desmatada:

  • Bahia: 17.635 ha
  • Minas Gerais: 10.228 ha
  • Piauí: 4.389 ha
  • Mato Grosso do Sul: 1.962 ha

A Fundação SOS Mata Atlântica destaca que 96% da supressão vegetal foi convertida para uso agropecuário, sendo que a grande maioria apresenta fortes indícios de ilegalidade. O sucesso na queda dos números é atribuído a ações estratégicas como a Operação Mata Atlântica em Pé, embargos remotos de terras e restrições de crédito bancário para infratores ambientais.

Risco retroativo: Ameaça no Congresso

Mesmo com os avanços, o clima não é de celebração plena. Luis Fernando Guedes Pinto, diretor executivo da Fundação, adverte que o bioma permanece sob “risco concreto”. O motivo é a aprovação, pelo Congresso Nacional, da Lei Geral do Licenciamento Ambiental e da Lei da Licença Ambiental Especial.

Para especialistas, essas medidas enfraquecem o poder de controle do Estado justamente no momento em que ele se mostra mais eficaz. “Enfraquecer os instrumentos de proteção agora é arriscar o que levamos décadas construindo”, afirma Malu Ribeiro, diretora de políticas públicas da entidade. O receio é que a flexibilização das leis neutralize os ganhos recentes e afaste o Brasil das metas do Acordo de Paris.


Passo a passo para a Meta de Desmatamento Zero:

  1. Vigilância: Manutenção do rigor na aplicação da Lei da Mata Atlântica.
  2. Incentivo: Ampliação do pagamento por serviços ambientais a produtores que preservam.
  3. Restauração: Focar não apenas em parar o desmate, mas em recompor corredores ecológicos.

Fontes: SOS Mata Atlântica, MapBiomas, INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e SAD Mata Atlântica e Agência Brasil.

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