Mais de 80 anos após a Segunda Guerra Mundial, as Ilhas Salomão continuam sendo um dos lugares mais contaminados por minas terrestres no Pacífico. / © PNUD
Mais de 80 anos após a Segunda Guerra Mundial, as Ilhas Salomão continuam sendo um dos lugares mais contaminados por minas terrestres no Pacífico. / © PNUD

Habitantes das Ilhas do Pacífico Sul enfrentam perigo crescente de legado tóxico

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Estudo apoiado pela ONU confirma contaminação por metais pesados em solo e recifes; munições da Segunda Guerra Mundial agora ameaçam a saúde infantil e a segurança alimentar local.

Um estudo inédito realizado em parceria com as Nações Unidas trouxe evidências científicas para uma suspeita de décadas dos habitantes das ilhas do Pacífico Sul: a presença de um legado tóxico persistente. A pesquisa confirmou a contaminação por metais pesados como chumbo, arsênio e cádmio, além de resíduos de explosivos, decorrentes da corrosão de munições não detonadas (conhecidas como UXO) que fazem parte do cotidiano da região.

Financiado pelo Governo do Japão e apoiado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o estudo foi liderado pela Dra. Stacey Pizzino, da Universidade de Queensland. Segundo a pesquisadora, o risco para a população está em ascensão devido à interação constante, muitas vezes acidental, com esses artefatos históricos.

Perigo no cotidiano e impactos na infância

A presença das munições é onipresente: são vistas nos recifes durante trajetos de barco e até utilizadas como âncoras para canoas. O relato mais alarmante envolve crianças que interagem regularmente com os dispositivos, chegando a retirar explosivos de dentro deles para criar fogos de artifício improvisados.

Os impactos na saúde já são observados na ponta:

  • Irritações e úlceras: Relatos frequentes de irritação ocular e erupções cutâneas.
  • Contaminação via amamentação: Bebês desenvolveram furúnculos e úlceras bucais após as mães consumirem frutos do mar de áreas suspeitas.
  • Danos cerebrais: Testes em poeira de munições confiscadas revelaram níveis extremos de chumbo. “Não existe nível seguro de chumbo para crianças; isso impacta diretamente o desenvolvimento cerebral”, alerta a Dra. Pizzino.

Ameaça à cadeia alimentar e aos ecossistemas

As amostras coletadas em locais como Lever’s Point revelaram altas concentrações de compostos explosivos, como TNT e PETN, no solo e em organismos marinhos, incluindo moluscos. Essa contaminação química vaza gradualmente para o ambiente, comprometendo a biodiversidade dos recifes e a base da alimentação das comunidades costeiras.

Mais de 80 anos após a Segunda Guerra Mundial, as Ilhas Salomão continuam sendo um dos lugares mais contaminados por minas terrestres no Pacífico. / © PNUD

O desafio da desativação e o futuro das ilhas

Tornar o terreno seguro novamente é um processo lento e de alta complexidade. Para as comunidades locais, a atuação das unidades de desativação de explosivos representa a possibilidade de retomar atividades básicas de subsistência com segurança. “Quando sabemos que a área está limpa, podemos plantar e não nos preocupamos com as crianças”, afirma Fred, agricultor da ilha de Gavatu.

O PNUD reforça que o tempo é um fator crítico. “Produtos químicos perigosos continuam vazando, prejudicando a vida marinha e as comunidades”, afirma Raluca Eddon, representante do órgão. Embora o estudo não estabeleça uma relação causal definitiva em todo o país, a combinação de evidências ambientais e padrões de saúde aponta para um risco crível e crescente que exige remoção urgente e ações de descontaminação.

Fonte: ONU News

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