Marcelo Camargo / Agência Brasil
Marcelo Camargo / Agência Brasil

Governo avalia alternativas para mitigar impactos do PL da Devastação

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Com o PL 2.159/2021 — apelidado de PL da Devastação — à espera de sanção ou veto presidencial, o governo federal articula estratégias para minimizar os impactos da proposta, aprovada recentemente pelo Congresso Nacional. Entre as opções analisadas está a edição de uma medida provisória (MP) que altere pontos considerados críticos do texto.

Campanha #VetaTudoLula pressiona Planalto

Enquanto cresce nas redes sociais o movimento #VetaTudoLula, que pede o veto integral do projeto, a Casa Civil lidera as discussões internas sobre a melhor forma de conduzir o tema. A posição do governo é dividida: de um lado, os ministérios do Meio Ambiente, Povos Indígenas e Direitos Humanos defendem o veto total; de outro, pastas como Agricultura, Minas e Energia e Transportes veem o texto com bons olhos.

De acordo com o ministro Rui Costa, da Casa Civil, a análise do texto será aprofundada durante o recesso parlamentar, com reuniões envolvendo a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério do Meio Ambiente. A intenção é identificar os trechos mais problemáticos e, se necessário, propor uma MP ou um novo projeto de lei que reverta os danos e promova um debate mais equilibrado no retorno do Legislativo.

“Tem pontos que vamos ter que reverter numa negociação ou numa medida provisória com o Congresso. Temos que abrir esse diálogo”, afirmou Rui Costa.

A declaração indica que o veto integral pode estar fora de cogitação, apesar da pressão popular e ambientalista.

Marina Silva reforça críticas: “Um tiro no pé”

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, voltou a criticar duramente o PL da Devastação em entrevista ao jornal O Globo. Para ela, a proposta representa um retrocesso ambiental e econômico, inclusive para setores que a apoiam, como o agronegócio.

“Não precisa demolir a principal ferramenta de proteção ambiental da potência ambiental que é o Brasil para ter um agronegócio próspero”, afirmou a ministra.

Segundo Marina, a flexibilização do licenciamento ambiental abre caminho para o avanço do desmatamento, incêndios e degradação de ecossistemas essenciais para o equilíbrio climático e a segurança hídrica do país.

Especialistas e juristas cobram responsabilidade

Para o presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental (Proam), Carlos Bocuhy, o veto presidencial é essencial para preservar o sistema de licenciamento ambiental brasileiro, baseado na ciência e na democracia.

“O veto presidencial é inafastável, assim como a atuação do STF, se necessário, para restabelecer o devido processo ambiental”, afirmou Bocuhy.

Caso Mato-Grossense escancara riscos do licenciamento simplificado

A polêmica em torno do Portão do Inferno, no Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (MT), é um exemplo concreto dos efeitos da flexibilização do licenciamento. Com base em licenciamento simplificado, o governo estadual autorizou obras que podem destruir parte da formação geológica — oficialmente para conter erosões, mas com indícios de que o objetivo seria a duplicação da rodovia MT-251.

A obra foi aprovada sem consulta pública, estudos ou relatórios de impacto ambiental, com autorização do IBAMA. Diante disso, o Ministério Público Federal, o Ministério Público Estadual e o Instituto Caracol entraram com ações civis públicas pedindo a anulação do licenciamento por ausência de justificativa técnica adequada.

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