Uma ilustração de Masripithecus moghraensis, um macaco do início do Mioceno.(Crédito da imagem: Mauricio Antón)
Uma ilustração de Masripithecus moghraensis, um macaco do início do Mioceno.(Crédito da imagem: Mauricio Antón)

Elo Perdido no Egito: Fóssil de 18 milhões de anos desafia teoria sobre origem dos macacos e humanos

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Durante décadas, a ciência apostou que os ancestrais dos macacos modernos — grupo que inclui os grandes símios, gibões e os próprios seres humanos — surgiram na África Oriental. No entanto, uma descoberta publicada nesta semana na revista Science está forçando os pesquisadores a olharem mais para o Norte. O achado de um pequeno primata no Egito sugere que o “berço” da nossa linhagem pode ter sido, na verdade, o nordeste da África ou a Península Arábica.

Batizado de Masripithecus moghraensis (o “macaco trapaceiro do Egito”), o novo gênero foi identificado a partir de fragmentos de mandíbula e dentes encontrados no deserto egípcio (Wadi Moghra) entre 2023 e 2024. Embora os fósseis sejam incompletos, a anatomia dentária foi suficiente para posicionar a espécie em um ponto crucial da árvore evolutiva.

O “trapaceiro” que mudou o mapa

A análise liderada por Shorouq Al-Ashqar, da Universidade de Mansoura, indica que o M. moghraensis viveu há cerca de 18 milhões de anos, exatamente no período que precede a separação entre os grandes símios (como gorilas e humanos) e os símios menores (como os gibões).

  • Local inesperado: A presença desse fóssil no Egito indica que o ancestral comum de todos os símios viventes habitava a região afro-arábica, e não apenas o leste do continente.
  • Encruzilhada biogeográfica: A localização reforça a ideia de que o Egito serviu como uma ponte para a dispersão desses animais em direção à Ásia e Europa.
  • Importância dentária: Na paleontologia, dentes são como “impressões digitais” evolutivas. Eles revelam não apenas a dieta, mas o parentesco genético entre espécies separadas por milhões de anos.

Um mapa que mostra a dispersão dos macacos, incluindo o Masripithecus moghraensis , no Mioceno.(Crédito da imagem: Mauricio Antón)

Ceticismo e novas fronteiras

Apesar do entusiasmo, parte da comunidade científica pede cautela. O antropólogo Sergio Almécija, do Instituto Catalão de Paleontologia, descreveu a interpretação de que o Egito seria a origem definitiva como “um tanto rebuscada”, sugerindo que são necessários fósseis mais completos do corpo do animal para confirmar a teoria.

No entanto, para os autores do estudo, a descoberta prova que nossa compreensão sobre a evolução dos primatas ainda é incompleta. “Mais estudos nessa região poderiam refinar significativamente nossa compreensão da evolução inicial”, afirma Al-Ashqar.

Fragmento de mandíbula de Masripithecus moghraensis , fotografado no momento da descoberta.(Crédito da imagem: Professor Hesham Sallam)

Por que isso importa?

Entender de onde viemos ajuda a compreender como as mudanças climáticas e geográficas do passado moldaram a biologia humana. Se a nossa linhagem surgiu em uma região de “encruzilhada” como o nordeste da África, isso explica a facilidade com que nossos ancestrais se espalharam pelo Velho Mundo, adaptando-se a diferentes ambientes ao longo de milhões de anos.

Fontes do artigo

Al-Ashqar, S. et al (2026). Um macaco do início do Mioceno da encruzilhada biogeográfica dos hominoidea africanos e da Eurásia. Ciência . https://dx.doi.org/10.1126/science.adz4102

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