O mundo está diante de uma crise humanitária sem precedentes. Uma análise alarmante do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU revela que, se o conflito no Irã se estender até junho, mais 45 milhões de pessoas mergulharão na fome aguda em apenas três meses. O salto elevaria o total de pessoas em insegurança alimentar no planeta para 363 milhões — superando o recorde anterior causado pela guerra na Ucrânia em 2022.
O gatilho para essa “tempestade perfeita” é a combinação da paralisia no comércio marítimo com a disparada do petróleo acima dos US$ 100 por barril.
O Gargalo de Ormuz e a Crise dos Fertilizantes
Desde o início de março, a navegação no Estreito de Ormuz está praticamente estagnada. O local é o principal escoadouro de petróleo, gás natural e, crucialmente, de fertilizantes.
- O perigo para o plantio: Cerca de 25% dos fertilizantes do mundo passam por esse estreito. O bloqueio ocorre justamente quando países da África Subsaariana entram na época de plantio, o que pode aniquilar as safras futuras.
- Impacto na Ásia: A região deve sofrer o maior aumento percentual na fome (24%), com mais de 9 milhões de pessoas perdendo o acesso a uma dieta básica de 2.100 calorias por dia.
O Efeito Dominó nos Preços
A logística de guerra pressiona os custos de energia, que por sua vez encarecem a produção e o transporte de alimentos. O PMA modelou o impacto baseando-se na dependência de cada país em relação às importações. O resultado é sombrio:
- África Oriental e Sul: 17,7 milhões de novos afetados.
- África Central: 10,4 milhões.
- Oriente Médio e Norte da África: 5,2 milhões.
- América Latina e Caribe: 2,2 milhões.
“Perspectiva Terrível”
“As famílias que já não têm dinheiro para a próxima refeição serão as mais atingidas”, alertou Carl Skau, diretor do PMA. Sem uma resposta humanitária massiva e o fim imediato das interrupções comerciais, o mundo pode enfrentar uma catástrofe alimentar que apagará os avanços das últimas décadas no combate à miséria.
O cenário reforça a fragilidade do sistema alimentar global, que hoje depende de poucos “gargalos” geográficos e de insumos fósseis para se manter de pé.


