Desde a última sexta-feira (24), a cidade de Santa Marta, na Colômbia, tornou-se o epicentro de uma discussão histórica: a 1ª Conferência para a Transição para Além dos Combustíveis Fósseis. O evento, que reúne representantes de mais de 50 países e 2.600 organizações, nasce como uma alternativa “pé no chão” às COPs da ONU, com o objetivo claro de enfrentar o lobby da indústria petrolífera e focar na implementação real do abandono de petróleo, gás e carvão.
O encontro foca nos números que a ciência não deixa esquecer: os fósseis são responsáveis por 68% das emissões globais de gases de efeito estufa.
Participantes e ausências notáveis
A lista de presença revela um mosaico interessante de nações que buscam equilibrar suas economias com a urgência climática:
- Presentes: Brasil, Canadá, México, Noruega e Austrália (um dos maiores exportadores de carvão do mundo).
- Ausentes: As “superpotências” e os gigantes do setor — EUA, China, Rússia e Arábia Saudita — não enviaram representantes, evidenciando o abismo entre quem quer acelerar a transição e quem prefere manter o status quo.
O “mapa do caminho” de Santa Marta
Diferente das conferências multilaterais da ONU, que muitas vezes terminam em textos genéricos, Santa Marta busca resultados tangíveis:
- Painel Científico: Lançamento de um grupo de especialistas focado exclusivamente na transição energética.
- Relatório de contribuições: Um documento consolidado com vozes de governos e da sociedade civil.
- Influência global: A proposta é que o “Mapa do Caminho” gerado na Colômbia sirva de base para o roteiro global que está sendo estruturado pelo governo brasileiro para a COP30.
“Não somos ingênuos. Sabemos que o contexto geopolítico, acelerado pelos conflitos no Oriente Médio, é complexo, mas é nossa responsabilidade estar à altura do desafio”, afirmou a ministra colombiana Irene Vélez Torres.
Por que Santa Marta é diferente?
Especialistas e organizações como o Observatório do Clima e InfoAmazonia destacam que, por não estar sob o “guarda-chuva” formal da ONU, o encontro tem mais liberdade para propor ações drásticas sem as amarras burocráticas ou a pressão direta dos lobistas que costumam inundar as COPs. É um espaço de implementação, não apenas de promessas.
A conferência em números:
- 50+: Países participantes.
- 2.600: Organizações da sociedade civil presentes.
- 68%: Peso dos combustíveis fósseis nas emissões mundiais.
- 30%: Dos delegados são europeus; 20% da América Latina.



