Lixo plástico é descarregado de um barco de pesca na costa leste da China. / © PNUMA/Justin Jin
Lixo plástico é descarregado de um barco de pesca na costa leste da China. / © PNUMA/Justin Jin

Comunidade internacional pressiona por tratado global para frear a poluição plástica

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As Nações Unidas deram início, nesta terça-feira (05), em Genebra, a uma nova rodada de negociações para a criação de um tratado juridicamente vinculativo contra a poluição plástica. Representantes de quase 180 países participam do encontro, promovido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Segundo Inger Andersen, diretora executiva do PNUMA, a urgência é clara:

“O mundo quer — e precisa — de um tratado sobre o plástico. A crise está fora de controle, e as pessoas estão indignadas. Ninguém quer viver cercado por poluição plástica.”

Estudos do PNUMA estimam que, sem um acordo internacional, a produção e o descarte de plástico poderão triplicar até 2060, causando impactos severos à saúde humana, à biodiversidade e aos ecossistemas.

Pressão por um acordo ambicioso

As autoridades suíças reforçaram o apelo por um acordo robusto. Katrin Schneeberger, diretora do Escritório Federal Suíço para o Meio Ambiente, destacou que o problema vai além da ecologia:

“Os resíduos plásticos estão sufocando nossos lagos, prejudicando a vida selvagem e ameaçando a saúde humana. Trata-se de um desafio global que exige ação urgente e coletiva.”

A ausência de um teto para a produção de plásticos ainda é um dos principais impasses, especialmente entre os países produtores de petróleo e gás — insumos-base da indústria plástica.

Um tratado inspirado no Acordo de Paris

Ambientalistas comparam a relevância do tratado a ser discutido em Genebra ao Acordo de Paris sobre o Clima, por sua abrangência global e potencial de impacto.

“Não sairemos dessa crise apenas com reciclagem. É preciso uma transformação sistêmica rumo à economia circular”, reforçou Andersen.

O texto base das negociações — conduzidas pelo Comitê Intergovernamental de Negociação (CNI) — tem 22 páginas e 32 artigos provisórios, que serão discutidos linha por linha durante os 10 dias de reuniões.

O objetivo é que o tratado cubra todo o ciclo de vida dos plásticos, desde o design até a produção, consumo, descarte e reciclagem. A proposta é “promover a circularidade do plástico e evitar vazamentos no meio ambiente”.

“Alguns países precisarão focar na redução, outros na reciclagem mecânica, e outros ainda em alternativas. Mas há boa-fé no grupo, e acredito que podemos avançar”, disse Andersen.

Impacto social e ambiental crescente

O avanço das discussões ocorre após decisão dos Estados-membros da ONU, em 2022, de criar um instrumento internacional vinculativo para combater a crise do plástico, especialmente nos ambientes marinhos.

Produtos como canudos, sacolas, embalagens e cosméticos com microplásticos continuam se acumulando nos oceanos e aterros, agravando o problema global de resíduos.

Em relatos emocionantes, Andersen relembrou sua visita ao Paquistão em 2022, após as enchentes que mataram mais de mil pessoas. Lá, ela notou como plásticos e detritos agravam os desastres climáticos.

Vozes da sociedade civil pedem ação corajosa

Do lado de fora das negociações, ativistas como Shellan Saling, da Rede de Ação Juvenil pelo Plástico (YPAN), exigem um tratado ambicioso:

O plástico impacta tudo: clima, saúde, fertilidade e até deficiências. Precisamos de ação global corajosa e imediata.”

O desafio, agora, é alcançar um consenso que contemple realidades distintas — de países com alta produção e consumo plástico a nações mais vulneráveis —, garantindo equidade, eficácia e longevidade ao acordo.

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