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foto de um catador de reciclados

Catadores de reciclados na luta pela sobrevivência

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Eles andam pelas ruas na luta pelo sustento e por materiais reciclados, a vida do catador não é fácil nem nos pequenos e muito menos, nos grandes centros. De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, o índice de reciclagem no Brasil é de apenas 4%. Isso significa que muitos materiais estão sendo enterrados, deixando de gerar renda e também de preservar o meio ambiente.

A falta de políticas públicas e também de consciência ambiental dificulta ainda mais a vida dos catadores de reciclados. De acordo com Lucas Ribeiro, que trabalha nas ruas, para conseguir em torno de R$ 300 por mês é preciso andar muito. “Preciso percorrer pelo menos cinco bairros todos os dias, ainda corro o risco de me machucar no vidro que fica nas sacolas sem aviso”, explica o catador.

Após a pandemia de Covid 19, o número de catadores se multiplicou pelas ruas da cidade, um reflexo do desemprego em todo país. A situação é grave do ponto de vista social, porque muitos catadores, percorrem vários quilômetros por dia para conseguir materiais e correm risco no trânsito, além disso, carregam carrinhos pesados.

A atuação dos trabalhadores é reconhecida pelo Ministério do Trabalho e Emprego há 21 anos, mas na prática nem parece. O trabalho ambiental feito pelos catadores, reduz o volume de materiais nos aterros, além de evitar que muitos metais sejam retirados mais uma vez do solo. O que eles recolhem voltam para as indústrias, numa cadeia bem mais sustentável que antes.

“Os catadores possuem papel fundamental nas cidades onde a coleta seletiva não existe, eles serão responsáveis a dar destinação aos resíduos que são reciclados, dessa forma devemos ajuda-los, separando o lixo molhado do seco.

Na hora de deixar esses resíduos nas ruas, importante colocar identificado qual é reciclado. Devemos também ter cuidado com o vidro para que os catadores não venham sofrer qualquer acidente”, explica Vitor Guimarães Rosa, professor do IFF de Guarus.

Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) apontam que, no Brasil, o número dessa classe de trabalhadores varia entre 400 e 600 mil. Mas é só uma estimativa, difícil ter certeza.

Especialistas garantem que 90% dos materiais que chegam nas empresas que compram os reciclados, vem das mãos deles.

Pontos de entrega

Em Campos, existem vários Pontos de Entrega Volintárias, os PEVs, também chamados de entulhodromos, só que muitas pessoas deixam materiais que poderiam ser reciclados e quem não tem carrinho para trabalhar nas ruas, fica nos locais a espera de materiais que podem ser vendidos.

Lembrando que a Prefeitura de Campos, através da Secretaria de Serviços Públicos pode multar quem for flagrado depositando lixo e entulhos em vias públicas. A secretaria disponibiliza o número do disque denúncias da Subsecretaria de Postura, 22 981683645, para que a população possa colaborar e evitar que a cidade permaneça suja. Quem for pego jogando entulho ou lixo em local inadequado, pode receber multa no valor de até 10 salários mínimos.

A Fátima vive com o que encontra nos PEV do bairro do Caju, ela revira os materiais que chega e separa tudo. Por mês, ela consegue cerca de R$ 400 com o que encontra de resíduos. “Antes a gente andava pelas ruas revirando sacolas, encontrava vidro, então aqui é um lugar melhor e fechado, porque conseguimos guardar nossos materiais e depois vender”, afirma Fátima Gomes, catadora.

“A gente está vivenciando essa crise climática, acompanhando os números e a catástrofe na questão ambiental, a questão dos resíduos pesa na questão sócio ambiental. Importante investir em coleta seletiva, além de ser ambiental produz trabalho e renda”, afirma professora da UFF, Herika Almeida.
Economia Solidária

O fortalecimento da organização produtiva dos catadores em cooperativas e associações com base nos princípios da autogestão, da economia solidária e do acesso a oportunidades de trabalho decente representa, portanto, um passo fundamental para ampliar o leque de atuação desta categoria profissional na implementação da PNRS, em especial na cadeia produtiva da reciclagem, traduzindo-se em oportunidades de geração de renda e de negócios, dentre os quais, a comercialização em rede, a prestação de serviços, a logística reversa e a verticalização da produção.

Importantes conquistas têm sido alcançadas para o fortalecimento da atuação dos catadores de reciclados com melhoria das condições de trabalho, o que, por sua vez, contribui para aprimorar a atuação desse segmento na implementação da PNRS.

O governo federal vem atuando no apoio e na promoção do fortalecimento das cooperativas e associações de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis, por meio de um conjunto de ações empreendidas por diferentes órgãos, o que requer articulação e integração entre ações de cunho social, ambiental e de ordem econômica.

Acompanhe a matéria de hoje que foi veículada no Balanço Geral de Campos, pela Record TV Interior RJ:

 

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