A 180 mil quilômetros de distância e viajando a velocidades extraordinárias, a tripulação da missão Artemis II fez uma pausa em seus protocolos técnicos para registrar o que o ser humano não via de forma tão nítida há mais de 50 anos: a Terra como um frágil mármore azul suspenso na escuridão.
As imagens, divulgadas pela NASA na última sexta-feira, foram capturadas pelo comandante Reid Wiseman e mostram o globo terrestre envolto em espirais de nuvens e o brilho esmeralda de uma aurora boreal — um detalhe raramente visto em fotografias espaciais de longa distância.

Um Momento de Reflexão Global
O registro causou comoção no Centro de Controle da Missão, em Houston. “É emocionante pensar que, com exceção desses quatro amigos a bordo, todos os outros seres humanos vivos estão representados nesta única imagem”, destacou Lakiesha Hawkins, líder de sistemas de exploração da NASA.
Para o comandante Wiseman, a visão através das janelas da cápsula Orion foi avassaladora. Em entrevista transmitida ao vivo, ele confessou que a tripulação ficou temporariamente “paralisada” diante do espetáculo. O momento ocorreu logo após a Orion realizar uma manobra de reposicionamento, permitindo que o planeta preenchesse completamente o campo de visão dos astronautas.

O Status da Jornada
A missão segue conforme o cronograma perfeito:
- Localização atual: A tripulação já ultrapassou a marca dos 200 mil quilômetros de distância da Terra.
- Próximo marco: A chegada à vizinhança lunar está prevista para esta segunda-feira (06/04).
- A manobra: Na noite de quinta-feira, os motores principais da Orion foram acionados com sucesso, colocando a nave em uma trajetória de retorno livre. Isso significa que, após contornar a Lua, a própria gravidade do satélite lançará os astronautas de volta para a Terra, como um estilingue gravitacional.
Sucessores da Apollo 17
Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e o canadense Jeremy Hansen são os primeiros seres humanos a testemunhar essa perspectiva desde os astronautas da Apollo 17, em dezembro de 1972. A diferença agora é a tecnologia: as imagens de alta resolução transmitidas quase em tempo real permitem que a humanidade acompanhe a viagem como se estivesse dentro da cabine.
A Artemis II não fará pouso na superfície, mas o sucesso desta volta ao redor da Lua é o “sinal verde” final para que o próximo passo — o desembarque humano no polo sul lunar — aconteça nos próximos anos.
Veja mais fotos:










