O dia 1º de abril de 2026 entrou para a história não como um dia de peças pregadas, mas como o marco do renascimento da exploração espacial humana. Sob o olhar de centenas de milhares de pessoas na Costa Espacial da Flórida e milhões via internet, a NASA lançou com sucesso a missão Artemis II. Pela primeira vez desde o fim do programa Apollo, em 1972, uma tripulação de quatro astronautas deixou a órbita terrestre baixa para reencontrar a Lua.

A decolagem ocorreu às 18h35 (horário de Brasília) a partir do histórico Complexo de Lançamento 39B, no Centro Espacial Kennedy. O foguete Space Launch System (SLS), o mais potente já construído, rugiu nos céus da Flórida, transportando a cápsula Orion em uma trajetória que promete bater recordes e quebrar barreiras sociais e técnicas.

Uma tripulação de pioneiros
A Artemis II não é apenas uma missão de teste; é um símbolo de uma nova era de inclusão no espaço. A bordo da Orion estão quatro astronautas que carregam marcas históricas:
- Reid Wiseman (Comandante): Aos 50 anos, torna-se o astronauta mais velho a visitar a vizinhança lunar.
- Victor Glover (Piloto): O primeiro astronauta negro a aventurar-se além da órbita da Terra e visitar o ambiente lunar.
- Christina Koch (Especialista de Missão): A primeira mulher na história a ir além da órbita terrestre baixa e visitar a Lua.
- Jeremy Hansen (Especialista de Missão): Representando a Agência Espacial Canadense, ele é o primeiro não americano a participar de uma missão lunar.
Superando desafios e “equipamentos antigos”
A jornada até a plataforma não foi fácil. Nos meses anteriores, a NASA lutou contra vazamentos persistentes de hidrogênio e falhas no fluxo de hélio. Durante a contagem regressiva, um problema de última hora no Sistema de Terminação de Voo (FTS) — o mecanismo de autodestruição em caso de desvio de rota — quase interrompeu o lançamento.
A solução veio de forma curiosa: engenheiros da NASA recuperaram e adaptaram um “equipamento antigo” da era dos Ônibus Espaciais para colocar o sistema em funcionamento e garantir a segurança do voo.
O salto para o espaço profundo: Injeção Translunar
Após o lançamento bem-sucedido e algumas órbitas iniciais para checagem de sistemas, a missão atingiu seu ponto de “não retorno” na quinta-feira (02/04). Às 19h49, a cápsula Orion realizou a Injeção Translunar (TLI), uma queima de motor de 5 minutos e 50 segundos.
Com um empuxo de 6.000 libras — força suficiente para acelerar um carro de 0 a 100 km/h em menos de 3 segundos —, a Orion deixou oficialmente a gravidade da Terra. Agora, a tripulação segue em uma trajetória de retorno livre: a própria gravidade da Lua irá “laçar” a espaçonave, levando-a ao redor do lado oculto do satélite e lançando-a de volta para casa, sem a necessidade de grandes manobras de motor.
“Sentimos pessoalmente o poder da sua perseverança a cada segundo daquela queima”, declarou o astronauta canadense Jeremy Hansen após a conclusão da manobra.
O cronograma do retorno
A missão Artemis II tem duração prevista de 10 dias, servindo como o teste final para os sistemas de suporte à vida e comunicações em espaço profundo.
- Chegada à Lua: Segunda-feira, 6 de abril.
- Lado oculto: A tripulação viajará mais longe do que qualquer humano já esteve na história, explorando visualmente áreas nunca antes vistas por olhos humanos in loco.
- Retorno à Terra: Sábado, 11 de abril, com um pouso de precisão (splashdown) no Oceano Pacífico.
Este voo é o alicerce para a Artemis III, prevista para 2028, que finalmente levará humanos de volta à superfície lunar, desta vez para estabelecer uma presença sustentável e preparar o caminho para Marte.
A NASA fornecerá cobertura ao vivo e em tempo real da missão em seu canal no YouTube , bem como conversas ao vivo com os astronautas e briefings diários da missão.
Fonte: Live Science



