O cafezinho da manhã pode estar com os dias contados como o conhecemos. Um relatório contundente divulgado pelo Rabobank nesta segunda-feira (30/03) prevê que um quinto (20%) das áreas atualmente dedicadas ao cultivo de café arábica no mundo serão classificadas como impróprias para a produção até 2050.
O estudo utiliza modelos científicos para projetar como o aumento das temperaturas e a alteração drástica nos padrões de chuva transformarão regiões hoje produtivas em terrenos marginais, onde o rendimento é menor e o custo de investimento, muito mais alto.
O impacto no gigante: Brasil sob ameaça
Como maior produtor mundial de café arábica, o Brasil está no centro do furacão. Atualmente, 81% da nossa colheita ocorre em áreas classificadas como “adequadas”. No entanto, o relatório aponta um declínio severo: esse número pode cair para 62% nas próximas duas décadas.
- Queda na produtividade: Em áreas adequadas, o rendimento médio no Brasil é de 32,6 sacas por hectare. Em terras que se tornarem inadequadas, esse número despenca para 28 sacas, uma perda significativa em termos absolutos para o agronegócio.
- Marginalidade em alta: Estados produtores importantes podem ver suas áreas de alto rendimento serem empurradas para a “marginalidade”, onde o café sobrevive com dificuldade sob ondas de calor e secas intensas.
O mapa global da crise
O Brasil não está sozinho. O relatório mostra que vizinhos latinos sofrerão perdas ainda mais drásticas:
- Honduras: É o caso mais alarmante. A participação de terras adequadas deve desabar de 53% para apenas 12%.
- Colômbia: O país das montanhas cafeeiras verá suas áreas ideais caírem de 56% para 45%.
- O lado oposto: Enquanto as Américas perdem espaço, a Etiópia, na África, pode ver suas áreas adequadas subirem de 39% para 50%, beneficiada pelo deslocamento das zonas climáticas.
Incerteza e choques de abastecimento
A grande preocupação do Rabobank não é apenas o calor, mas a imprevisibilidade. “O aumento das temperaturas torna o cultivo menos previsível e aumenta a frequência de choques climáticos, como secas e chuvas intensas em momentos errados”, destaca o banco. Essa variabilidade fere a confiança no abastecimento global, gerando instabilidade nos preços para o consumidor final.
Assim como vimos com o cacau, o café arábica — conhecido por ser mais sensível que o café conilon (robusta) — está na linha de frente dos danos econômicos da crise climática.
Fonte: REUTERS



