Simulado de emergência está previsto para começar dia 24 / © CEZAR FERNANDES
Simulado de emergência está previsto para começar dia 24 / © CEZAR FERNANDES

Petrobras posiciona sonda no Amapá para simulado de emergência na Margem Equatorial

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A Petrobras anunciou a chegada da sonda NS-42 ao bloco FZA-M-59, na Margem Equatorial brasileira, marcando a fase final do processo de licenciamento ambiental para perfuração de poços de petróleo na região. A estrutura será utilizada na Avaliação Pré-operacional (APO), cujo simulado de emergência está previsto para começar no dia 24 de agosto.

A APO é uma exigência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para validar os planos de resposta a possíveis acidentes com vazamento de óleo. A realização do exercício simulado é um passo fundamental para que a estatal obtenha autorização de perfuração no bloco localizado a cerca de 175 km da costa do Oiapoque (AP), em águas profundas da Bacia da Foz do Amazonas.

Rio de Janeiro (RJ), 18/06/2025 – A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que a estatal atuará na Avaliação Pré-operacional com rigor. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil – Fernando Frazão/Agência Brasil

Teste de resposta a emergências

O exercício testará a eficácia do plano de emergência proposto pela Petrobras, incluindo a atuação em casos de derramamento de óleo, tempo de resposta para resgate de fauna, mobilização de equipamentos e comunicação com órgãos competentes. Participarão da operação mais de 400 profissionais, embarcações de grande porte, helicópteros e a própria sonda NS-42, já posicionada no local previsto para perfuração.

“Estamos levando para o Amapá a maior estrutura de resposta a ocorrências já mobilizada pela companhia”, afirmou Magda Chambriard, presidente da Petrobras, destacando o compromisso da estatal com protocolos rigorosos de segurança.

Nova fronteira petrolífera

A Margem Equatorial, que se estende do Rio Grande do Norte ao Amapá, é vista como uma promissora fronteira para a exploração de petróleo e gás. Países vizinhos, como Guiana e Suriname, já registraram descobertas significativas de petróleo na mesma faixa geográfica.

No Brasil, a Petrobras já obteve licença para perfuração em dois poços na costa do Rio Grande do Norte. A autorização para operar na Bacia da Foz do Amazonas, no entanto, foi negada pelo Ibama em 2023, e a empresa aguarda resposta a um pedido de reconsideração.

Segundo a Petrobras, o atraso na licença de exploração representa um custo de R$ 4 milhões por dia. O tema ganhou apoio político de setores do governo federal, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Ministério de Minas e Energia. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem atuado nos bastidores para acelerar a liberação da licença.

Pressões ambientais e científicas

A possível exploração de petróleo na região tem gerado críticas de ambientalistas e de parte da comunidade científica, que apontam riscos para a biodiversidade e incoerência com os compromissos de transição energética.

A Petrobras, por sua vez, argumenta que a Margem Equatorial será estratégica para garantir a autossuficiência do Brasil em petróleo na próxima década. A estatal reforça ainda que a área de perfuração está a mais de 500 km da foz do rio Amazonas, minimizando riscos diretos ao ecossistema do rio.

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) defendeu, em nota divulgada no início de agosto, que mais estudos sejam realizados antes da concessão definitiva das licenças para perfuração.

Exploração de petróleo na Margem Equatorial preocupa ambientalistas / Arte Petrobras/Divulgação

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