Um novo material biodegradável, resistente à umidade e capaz de prolongar a vida útil dos alimentos, foi desenvolvido pelo Laboratório de Materiais Poliméricos (Lapol), vinculado ao Núcleo de Sustentabilidade da UFRGS. A inovação é apontada como alternativa viável ao uso de plásticos convencionais, hoje um dos maiores desafios ambientais globais.
Segundo a universidade, o Brasil recicla apenas 24,5% de seus resíduos plásticos, e o restante segue para aterros ou descarte irregular, agravando a poluição de solos, rios e oceanos. O país já ocupa a quarta posição mundial na geração de lixo plástico.
A pesquisa e o impacto ambiental
A pesquisa da mestranda Helen Kotekewis identificou a indústria de embalagens como uma das maiores responsáveis pelo problema, já que itens de uso único permanecem em circulação por pouco tempo antes de serem descartados. O setor alimentício, sozinho, responde por cerca de 20% do consumo de plásticos no país, especialmente embalagens flexíveis.
Para enfrentar esse desafio, Helen desenvolveu um filme biodegradável produzido a partir da mistura de amido de milho (natural) e álcool polivinílico (PVA), um polímero sintético. Essa “blenda polimérica” recebeu ainda dois aditivos naturais:
- Lignina: resíduo da indústria de papel, com propriedades antioxidantes e antifúngicas;
- Ácido málico: encontrado em frutas como a maçã, com efeito conservante e transparência.
O resultado mais eficiente foi alcançado com a combinação de 75% amido + 25% PVA + lignina + ácido málico.
Resultados promissores
Os testes comprovaram:
- Redução de até 35% na absorção de umidade;
- Maior resistência mecânica e térmica;
- Transparência preservada, requisito essencial para embalagens comerciais;
- Propriedades antifúngicas e antioxidantes sem comprometer a biodegradabilidade.
Com isso, o material apresenta potencial real para substituir embalagens plásticas tradicionais, fechando o ciclo de consumo sem deixar resíduos nocivos.
Um problema urgente
De acordo com o Panorama de Resíduos Sólidos no Brasil, cada brasileiro produz em média 382 kg de lixo por ano, mas apenas 8% é reciclado. Grande parte da coleta e reaproveitamento ainda depende de catadores informais.
Em contrapartida, plásticos de difícil reciclabilidade — como embalagens flexíveis de alimentos — continuam sendo descartados em aterros ou no meio ambiente.
“O objetivo é substituir o plástico convencional por algo biodegradável, que volte ao ciclo natural sem causar impacto ambiental”, explica Helen.
A inovação abre caminho para um futuro mais sustentável no setor alimentício, diminuindo a dependência de polímeros de curta duração e contribuindo para um planeta mais limpo.


