Altas temperaturas desafiam cidades e sistemas de saúde no hemisfério norte
O verão de 2025 chegou com intensidade preocupante. Estados Unidos e Europa enfrentam ondas de calor extremas, com temperaturas elevadas que já causam impactos significativos na saúde pública, no consumo de energia e até no esporte profissional. Em várias cidades americanas, a sensação térmica ultrapassa os 42°C, o que levou autoridades a declararem estado de emergência e abrirem centros públicos de resfriamento.
Em Nova York, a previsão é de que os termômetros atinjam 38°C nesta terça-feira (24/06) — temperatura que não era registrada desde 2012. Baltimore, Washington D.C. e Filadélfia enfrentam cenário semelhante. O Departamento de Gerenciamento de Emergências de Nova York classificou a onda de calor como “o fenômeno climático mais mortal da cidade”, citando que mais de 500 mortes anuais estão relacionadas ao calor.
Calor intenso pressiona redes de energia nos EUA
De acordo com a Bloomberg, o aumento no uso de ar-condicionado deve elevar o consumo de energia ao nível mais alto em 12 anos na região atendida pela rede PJM Interconnection, que vai de Washington a Illinois. O pico previsto é de 158,5 gigawatts, enquanto o preço da energia no mercado à vista já saltou para US$ 200 por megawatt-hora — cinco vezes mais do que na última sexta-feira.
Europa também sofre com temperaturas acima da média
No Reino Unido, a primeira onda de calor do ano levou os termômetros a 34°C, cerca de 12°C acima da média histórica para o mês de junho. O problema se agrava pelo fato de que a maioria das residências britânicas foi construída para reter calor, tornando o clima interno quase insuportável.
Na França, o METEO France emitiu alerta para temperaturas de até 38°C nas regiões oeste e sul, com destaque para o risco ampliado à saúde, inclusive entre pessoas saudáveis. Os alertas incluem o risco de insolação, exaustão e desidratação.
Emergência ambiental: incêndios e colapsos
O calor não tem causado apenas desconforto. Na Grécia, bombeiros enfrentam desde o sábado (21/06) três grandes incêndios simultâneos na ilha de Quios, forçando a evacuação de 20 vilarejos e um centro de migrantes. As chamas, alimentadas por ventos fortes, ameaçam plantações de mástique — resina usada no tradicional licor mastiha.
As autoridades suspeitam de ação criminosa, dada a simultaneidade dos focos, enquanto o país lida com uma temporada de queimadas cada vez mais frequente, impulsionada pelas mudanças climáticas.
Alerta global: o calor não escolhe vítimas
Segundo especialistas, não são apenas idosos e pessoas com comorbidades que estão em risco. Até indivíduos saudáveis, incluindo atletas de alta performance, estão sendo afetados. Um caso emblemático foi o do jogador de beisebol Elly De La Cruz, que desmaiou em campo durante uma partida no último fim de semana.
Além do desconforto e riscos diretos, os cientistas alertam que ondas de calor prolongadas e frequentes são sintomas claros do avanço das mudanças climáticas e sinalizam a urgência de políticas públicas e ações coordenadas para mitigação e adaptação.


