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UENF integra áreas da ciência para enfrentar desafios ambientais e impulsionar a região 

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Transformar a pesquisa de bancada em uma linha de defesa concreta contra as crises ambientais e climáticas que ameaçam o presente e o futuro da sociedade. É justamente com esse desafio que o Programa de Pós-Graduação em Ciências Naturais (PPGCN) da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) tem lidado em toda sua trajetória. para isso, consolidou sua matriz interdisciplinar, unindo forças da Química, Física, Biologia e Engenharias em um ecossistema tecnológico de ponta que traduz o rigor acadêmico em ativos ambientais tangíveis, capazes de monitorar poluentes, mitigar gases de efeito estufa e devolver soluções reais para a comunidade.

Criado em 2003, o PPGCN iniciou suas atividades com o mestrado e ampliou a formação acadêmica para o doutorado em 2005. A estrutura atual, organizada em quatro linhas de pesquisa desde 2013, reúne estudos de diferentes áreas para investigar fenômenos naturais e desenvolver respostas a questões científicas, tecnológicas, ambientais e educacionais. O programa alcançou conceito 5 na avaliação quadrienal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) referente ao período de 2017 a 2020 e manteve a mesma classificação no ciclo de 2021 a 2024.

A proposta tem como base a colaboração entre pesquisadores de diferentes formações. Sob a coordenação do professor André Oliveira Guimarães, o programa reúne 38 pesquisadores com experiências em Química, Física, Biologia, Matemática, Engenharias, Farmácia e Humanidades. A combinação permite investigar um mesmo problema por perspectivas complementares e formar profissionais preparados para atuar tanto na pesquisa acadêmica quanto no desenvolvimento tecnológico e na inovação.

— No PPGCN, a interdisciplinaridade é tratada não apenas como um conceito, mas como a matriz operacional do programa. A ciência contemporânea exige abordagens sistêmicas para a resolução de problemas complexos que disciplinas isoladas já não conseguem abarcar. Para viabilizar isso, estruturamos um corpo docente altamente qualificado, com expertises que transitam pela Química, Física, Biologia, Matemática, Engenharias, Farmácia e Humanidades — afirmou Guimarães.

Equipamentos que revelam o que os olhos não alcançam

Nos laboratórios, a investigação científica depende de instrumentos capazes de revelar propriedades invisíveis a olho nu. A Ressonância Magnética Nuclear (RMN), a Ressonância Eletrônica (EPR), a difração e a absorção de raios X, além das técnicas fototérmicas, funcionam como diferentes instrumentos de uma orquestra analítica. Cada recurso oferece informações específicas sobre substâncias e materiais, enquanto a combinação dos resultados ajuda a compreender sua composição, estrutura e comportamento.

O programa desenvolve pesquisas em diferentes espaços da universidade, especialmente no Laboratório de Ciências Físicas (LCFIS) e no Laboratório de Ciências Químicas (LCQUI), vinculados ao Centro de Ciência e Tecnologia (CCT). A infraestrutura permite sintetizar substâncias, produzir materiais, analisar suas propriedades e investigar contaminantes. Entre as aplicações estão materiais nanoestruturados, sensores, materiais magnéticos, células solares e estudos de rochas porosas relacionadas à exploração de petróleo. O trabalho experimental também apoia pesquisas sobre poluentes atmosféricos, combustíveis renováveis e alternativas para o setor agrícola.

Essa estrutura está conectada a demandas econômicas e ambientais do Norte e Noroeste Fluminense. Na avaliação do coordenador, os estudos sobre materiais, fertilizantes, rochas de reservatórios e processos de remediação podem aproximar a produção científica dos desafios enfrentados por setores como óleo e gás, agronegócio e gestão ambiental.

— O portfólio de pesquisas do PPGCN está estrategicamente alinhado às vocações e aos gargalos produtivos do Norte e Noroeste Fluminense. Temos forte atuação na Ciência e Tecnologia de Materiais, gerando inovações para o setor de óleo e gás (estudo de rochas de reservatórios e catalisadores para refino) e para o agronegócio (desenvolvimento de biocarvões e fertilizantes avançados, como compostos de ureia-zeólita) — destacou Guimarães.

Para quem deseja ingressar

O processo seletivo para ingresso no primeiro semestre de 2027 está com inscrições abertas até 3 de novembro. As inscrições são realizadas exclusivamente por meio eletrônico, com envio da documentação conforme as instruções oficiais. É obrigatório utilizar uma conta do Gmail e os formulários eletrônicos originais disponibilizados pelo programa.

O cumprimento das exigências documentais é essencial para a homologação da candidatura. Os formulários devem ser preenchidos eletronicamente, preservando a formatação original, sem digitalização, preenchimento manual ou conversão que altere o arquivo fornecido. O currículo Lattes, ou equivalente para candidatos estrangeiros, deve registrar as atividades declaradas, acompanhadas dos comprovantes exigidos e organizadas na ordem prevista no edital. Na etapa final, o mestrado prevê entrevista, enquanto o doutorado inclui entrevista e apresentação ou defesa do projeto de pesquisa.

Para quem pretende ingressar, Guimarães recomenda relacionar a formação anterior aos desafios científicos e sociais que deseja investigar. O programa busca formar profissionais capazes de aprofundar conhecimentos em uma área e, ao mesmo tempo, dialogar com outras disciplinas para desenvolver pesquisas de interesse público e tecnológico.

— O grande diferencial competitivo do PPGCN é formar o que chamamos de “pesquisador global”: um profissional que domina profundamente sua área de atuação, mas possui o trânsito e o vocabulário científico para dialogar com outras disciplinas — explicou o coordenador.

Da biodiversidade regional à resposta para a crise ambiental

André Oliveira Guimarães fala com orgulho sobre as linhas de pesquisa. A linha de Bio-orgânica e Bio-inorgânica investiga substâncias presentes em plantas e animais, incluindo espécies da Mata Atlântica regional e plantas medicinais. Com técnicas de separação e caracterização química, os pesquisadores identificam compostos e avaliam propriedades biológicas que podem orientar futuras aplicações farmacêuticas, cosméticas e agroquímicas. A pesquisa também abrange o aproveitamento de resíduos agroindustriais e o estudo de moléculas presentes em alimentos e espécies vegetais.

Na linha de Ciências Ambientais, o foco recai sobre problemas como a contaminação da água, a presença de microplásticos, a qualidade do ar e a emissão de gases de efeito estufa. Os projetos incluem monitoramento de poluentes, desenvolvimento de combustíveis renováveis e processos de biorremediação, que utilizam organismos ou processos biológicos para contribuir com a redução de contaminantes. A combinação de conhecimentos químicos, físicos e biológicos permite examinar diferentes aspectos de um mesmo problema ambiental e investigar alternativas para preveni-lo ou mitigá-lo.

— Simultaneamente, a linha de Ciências Ambientais oferece suporte crítico à região por meio do monitoramento de poluentes, desenvolvimento de combustíveis renováveis e processos de biorremediação. Na interface biotecnológica, a área de Bio-Orgânica e Bio-Inorgânica explora nossa biodiversidade para sintetizar compostos de alto valor agregado, visando patentes e aplicações nas indústrias farmacêutica, agroquímica e de alimentos — explicou o coordenador.

Da pesquisa à sociedade, com a educação no percurso

A quarta linha, Ensino de Ciências, amplia o alcance do programa ao investigar como o conhecimento científico é produzido, ensinado e compreendido. Os estudos envolvem formação de professores, metodologias ativas, aprendizagem de Física, tecnologias educacionais, cultura científica e educação ambiental. Essa frente cria possibilidades de aproximação entre a universidade e a educação básica, favorecendo a circulação do conhecimento e a formação de pessoas capazes de compreender questões científicas presentes no cotidiano.

A formação no PPGCN também inclui atividades de extensão que aproximam mestrandos e doutorandos de diferentes setores da sociedade. O programa participa de oportunidades de bolsas, como as modalidades Mestrado e Doutorado Nota 10 da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), além de iniciativas de internacionalização, como o Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE). As bolsas dependem de editais e processos de seleção específicos, mas podem ampliar as possibilidades de pesquisa, publicação e colaboração acadêmica.

— Além da robustez acadêmica, o programa inovou ao institucionalizar a transferência de tecnologia e conhecimento. Por meio das disciplinas curriculares de Atividades de Extensão, nossos mestrandos e doutorandos atuam diretamente na articulação entre a universidade e a sociedade. Essa sinergia retroalimenta o programa: a infraestrutura garante publicações de alto impacto, enquanto a extensão garante que a produção científica gere contrapartidas sociais e soluções tangíveis para a comunidade — concluiu Guimarães.

(Jornalista: Jorge Rocha – Fotos: Divulgação– UENF)

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