Um grande tubarão-martelo sob a água, cercado por peixes menores. Imagem de Annie Guttridge.
Um grande tubarão-martelo sob a água, cercado por peixes menores. Imagem de Annie Guttridge.

Tubarões-martelo preferem “ficar em casa” nas Bahamas, revela estudo

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Pesquisadores descobrem que alguns grandes tubarões-martelo são residentes fiéis de Andros, enquanto outros migram para os EUA

Um novo estudo revelou um comportamento surpreendente entre os grandes tubarões-martelo (Sphyrna mokarran) que habitam a Ilha de Andros, nas Bahamas. Enquanto alguns desses predadores fazem migrações de até 3.000 km, outros escolhem permanecer nas águas tropicais ao redor da ilha, retornando aos mesmos locais ano após ano.

A pesquisa foi conduzida pela equipe da Saving the Blue, com liderança do biólogo marinho Dr. Tristan Guttridge, e publicada no periódico Frontiers in Marine Science. Os resultados destacam a importância das águas protegidas das Bahamas para a conservação dos grandes tubarões-martelo, uma espécie criticamente ameaçada de extinção.

“Acredita-se que as populações globais de grandes tubarões-martelo tenham diminuído em mais de 80% nas últimas três gerações”, alerta Guttridge. “Além disso, a análise genômica revelou baixa diversidade genética e sinais de endogamia. Compreender seus padrões de movimento é fundamental para traçar estratégias de conservação mais eficazes.”

A equipe captura um grande tubarão-martelo. Imagem de Gabby Lozada.

Comportamento inesperado: alguns tubarões são “caseiros”

Embora seja conhecido que esses tubarões realizam migrações extensas, como para a costa leste dos Estados Unidos, a pesquisa detectou um grupo de indivíduos que escolhem viver permanentemente nas águas ao redor de Andros.

Esses “caseiros” parecem se beneficiar de condições ambientais ideais, como abundância de presas e acesso a águas profundas e frias, mesmo no auge do verão tropical. As águas ao norte e centro da ilha, em uma área de aproximadamente 400 km², foram apontadas como zonas preferenciais desses tubarões para alimentação e possível reprodução.

A análise revelou que os tubarões retornam repetidamente às mesmas áreas, comportamento que indica fidelidade ao território, algo raro em espécies de grande porte com ampla capacidade de deslocamento.

Estudo de campo e metodologia

Entre março de 2020 e junho de 2024, a equipe capturou e monitorou 22 grandes tubarões-martelo na região de Andros. Destes, sete receberam rastreadores via satélite para acompanhamento de seus deslocamentos. Os pesquisadores também coletaram biópsias musculares para análise de dieta e saúde dos animais.

Foram contabilizados 78 encontros com tubarões entre 2018 e 2024, abrangendo principalmente juvenis e adultos de grande porte. Aproximadamente metade desses registros ocorreu entre janeiro e março, e o restante, nos meses de junho e julho. Dois encontros forneceram indícios de atividade reprodutiva recente, reforçando a hipótese de que Andros é um importante local de reprodução.

A equipe trabalha com outro grande tubarão-martelo. Imagem de Annie Guttridge.

Dieta diversificada e escolhas individuais

As análises isotópicas das biópsias mostraram que arraias e barracudas compõem cerca de dois terços da dieta dos grandes tubarões-martelo de Andros. O restante inclui outros tubarões de menor porte, como os tubarões-seda.

Segundo Guttridge, a abundância de alimentos e as condições ambientais estáveis explicam, em parte, por que alguns tubarões permanecem em Andros durante todo o ano. Porém, ainda não se sabe exatamente o motivo pelo qual nem todos os indivíduos adotam o mesmo comportamento.

“Encontramos variações individuais na dieta, o que pode influenciar a decisão de migrar ou permanecer. Também é possível que fatores genéticos desempenhem um papel, como ocorre com os salmões”, sugere o pesquisador.

Implicações para a conservação

As Bahamas mantêm um dos maiores santuários de tubarões do mundo, oferecendo proteção legal contra a pesca de espécies ameaçadas. No entanto, a nova descoberta reforça a necessidade de cooperação internacional, já que alguns tubarões-martelo deixam as águas protegidas do arquipélago e se deslocam para áreas de risco, como a costa dos Estados Unidos, onde a pesca é permitida.

“Nosso estudo evidencia que, embora alguns indivíduos permaneçam protegidos o ano inteiro, outros não. Isso reforça a urgência de ações coordenadas entre diferentes países para garantir a sobrevivência dessa espécie migratória”, afirma Guttridge.

O próximo passo da equipe será compreender como esses tubarões-martelo de Andros se conectam à população do Atlântico Noroeste, algo que pode ajudar a definir estratégias globais de conservação.

Um grande tubarão-martelo nada perto do fundo do mar. Imagem de Annie Guttridge.

Grandes tubarões-martelo: uma espécie em perigo

O grande tubarão-martelo (Sphyrna mokarran) é conhecido por seu tamanho imponente, chegando a medir até 6 metros de comprimento. Sua lenta taxa de crescimento e baixa fecundidade tornam a espécie altamente vulnerável à sobrepesca e à perda de habitat.

Nos últimos anos, a espécie foi incluída na Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) como Criticamente Ameaçada, o que torna estudos como este cruciais para seu futuro.

Fonte: www.frontiersin.org

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