Trump critica há muito tempo o Centro Europeu de Implantação de Energia Eólica Offshore, próximo ao seu campo de golfe em Aberdeen. / Foto: Russell Cheyne/Reuters
Trump critica há muito tempo o Centro Europeu de Implantação de Energia Eólica Offshore, próximo ao seu campo de golfe em Aberdeen. / Foto: Russell Cheyne/Reuters

Trump volta a atacar moinhos de vento e critica políticas climáticas durante visita à Escócia

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Durante viagem ao Reino Unido, ex-presidente norte-americano afirma que turbinas eólicas estão “arruinando países” e “matando pássaros e baleias”.

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reacendeu sua cruzada pessoal contra os moinhos de vento durante visita recente à Escócia. Trump declarou que as turbinas eólicas “estão destruindo seus países” e deveriam ser banidas, disse enquanto estava na pista do Aeroporto Prestwick de Glasgow. A declaração faz parte de uma série de ataques que ele tem feito à energia renovável ao longo dos anos.

“Parem os moinhos de vento! Eles estão arruinando seus países. É sério. Estão matando os pássaros e, se instalados no oceano, estão destruindo os mares”, afirmou Trump aos jornalistas.

A crítica, embora recorrente, ganha novo tom diante do contexto internacional de esforços pela transição energética e da proximidade da COP30, que será realizada no Brasil em 2025.

Um embate pessoal com raízes antigas

A aversão de Trump à energia eólica não é novidade. O ex-presidente trava, desde 2006, uma batalha contra um parque eólico offshore próximo ao seu campo de golfe em Aberdeen, na Escócia. Na época, Trump chegou a escrever uma carta ao então primeiro-ministro escocês, Alex Salmond, dizendo que a instalação das turbinas causaria “mais danos à Escócia do que qualquer outro evento na história do país”.

Apesar das tentativas judiciais de barrar o projeto, o parque eólico foi construído com 11 turbinas, e Trump foi derrotado nos tribunais, sendo obrigado a arcar com as custas legais do governo escocês. A mágoa persiste.

Durante visita ao Trump Turnberry Golf Club, outro de seus empreendimentos na Escócia, Trump voltou ao tema:

“Hoje joguei no melhor campo de golfe do mundo, o Turnberry. Mas quando olho para o horizonte e vejo nove moinhos de vento no fim do 18º buraco, penso: que pena!”, disse ele.

Falsas alegações e desinformação

Além das críticas estéticas e ambientais, Trump fez novamente alegações infundadas, como a de que os moinhos de vento causam câncer — uma afirmação feita em 2019 — e que estariam provocando a morte de baleias.

“Há um local em Massachusetts onde, em 20 anos, uma ou duas baleias chegaram à praia. Mas, recentemente, foram 18. Isso está enlouquecendo elas”, afirmou Trump, sem apresentar evidências.

No entanto, o Departamento de Energia dos EUA já refutou essa teoria. Em abril de 2023, a agência declarou que “não há evidências que sustentem a ligação entre o desenvolvimento eólico e a morte de grandes baleias”.

Trump também aproveitou a entrevista para criticar democratas, a imprensa, e a falta de agradecimento pela ajuda humanitária enviada a Gaza — tema que desviou ainda mais o foco das discussões sobre energia e clima.

Impacto político e discurso anticlima

A postura de Trump representa um retrocesso significativo na agenda ambiental norte-americana. Sua retórica abertamente contrária à energia eólica e às políticas climáticas globais preocupa especialistas e líderes internacionais, principalmente diante da proximidade da COP30, que será realizada no Brasil em novembro.

Como a maior economia do mundo e um dos principais emissores de gases de efeito estufa, os Estados Unidos têm papel fundamental nas negociações climáticas. A hostilidade de Trump às fontes renováveis e sua postura negacionista podem enfraquecer os esforços multilaterais de combate à crise climática — e comprometer avanços importantes que vêm sendo articulados desde a COP28.

Fonte: www.thedailybeast.com / www.rollingstone.com

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