Ferramenta inédita integra dados nacionais para identificar a presença de pesticidas na vida aquática e orientar políticas públicas de saúde e preservação.
O Governo Federal oficializou, nesta segunda-feira (11/05), o lançamento de um painel estratégico para o monitoramento de agrotóxicos nos recursos hídricos do Brasil. A plataforma consolida dados coletados em diversas bacias hidrográficas, permitindo visualizar com clareza o grau de presença de pesticidas em nossos ecossistemas aquáticos.
O painel oferece uma visão detalhada da distribuição dos pontos de monitoramento em todos os estados, o número de substâncias rastreadas e os percentuais de detecção. O objetivo central é ampliar a transparência, fortalecer o debate público e fornecer subsídios técnicos para a construção de políticas preventivas e corretivas.

Sustentabilidade no centro da potência agrícola
Durante o lançamento, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, enfatizou que o uso inadequado ou o excesso de agrotóxicos impactam diretamente organismos aquáticos, polinizadores, a qualidade do solo e a saúde humana.
Para o ministro, o Brasil, como potência agrícola global, deve assumir a responsabilidade de unir produtividade à proteção ambiental. “Produzir alimentos exige também proteger as águas, bioinsumos, os territórios e a saúde humana”, declarou.
O papel do Pronara e da agroecologia
A ferramenta foi desenvolvida sob as diretrizes do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara), com base em monitoramentos realizados pela Embrapa. Capobianco destacou que o Pronara é fruto de mais de uma década de mobilização e que a agroecologia hoje é um modelo de sucesso comprovado para sistemas produtivos sustentáveis.
Dados técnicos iniciais do painel:
- Abrangência atual: 49 tipos de agrotóxicos são rastreados nesta fase inicial.
- Volume de análises: Foram realizadas mais de 10 mil análises.
- Taxa de detecção: A frequência de detecção inicial é de 7,2%.
- Substância predominante: O S-Metolacloro foi identificado em 69,48% das amostras positivas.
Fim da fragmentação de dados
Um dos maiores ganhos da nova plataforma é o combate à dispersão de informações. Antes do painel, os dados sobre monitoramento ambiental de agrotóxicos existiam, mas estavam fragmentados, o que dificultava análises integradas por gestores públicos.
A nova plataforma atua como uma ferramenta de inteligência ambiental, permitindo que a sociedade acompanhe tendências e identifique vulnerabilidades das bacias hidrográficas. A expectativa é que a importância e a precisão do painel cresçam progressivamente conforme a cobertura territorial for ampliada.
Fonte: Agência Brasil


