Queimada na APA do Tapajós, unidade de conservação recordista em desmatamento em 2022 na Amazônia (Foto: Christian Braga/ClimaInfo/SET22)
Queimada na APA do Tapajós, unidade de conservação recordista em desmatamento em 2022 na Amazônia (Foto: Christian Braga/ClimaInfo/SET22)

Suspensão da Moratória da Soja pelo Cade gera forte reação de ambientalistas

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A decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) de suspender preventivamente a Moratória da Soja causou repercussão imediata entre ambientalistas. O acordo, firmado em 2006, impedia a compra de soja cultivada em áreas da Amazônia desmatadas após julho de 2008. Considerado um dos principais mecanismos de combate à destruição da floresta, o pacto foi alvo de críticas da bancada ruralista, que levou o caso ao Cade.

Na mesma decisão, publicada na última segunda-feira (18), o Cade instaurou um processo administrativo contra entidades como a Abiove, Anec e trinta tradings, incluindo Cargill, Bunge e Cofco. A investigação apura uma possível formação de cartel entre as empresas signatárias do Grupo de Trabalho da Soja (GTS), sob argumento de que o pacto prejudicaria a livre concorrência.

Reação ambientalista: “um tiro no pé”

Para organizações ambientais como o Greenpeace, a decisão não é técnica, mas fruto da pressão de setores do agronegócio. Segundo Cristiane Mazzetti, da ONG, a medida pode incentivar novos desmatamentos e restringe ao consumidor o direito de escolher produtos livres de destruição florestal.

“Desmontar um acordo de quase 20 anos, eficaz e reconhecido internacionalmente, é um tiro no pé. A floresta garante a água para o agronegócio”, disse Ane Alencar, do Ipam.

Dados do GTS indicam que, até 2022, a moratória ajudou a reduzir em 69% o desmatamento em municípios monitorados, mesmo com o aumento de 344% na produção de soja no bioma.

Ruralistas comemoram decisão

Entidades como a Famato e a Aprosoja-MT comemoraram a medida. Para elas, a moratória impunha barreiras injustas ao mercado, inclusive a produtores que cultivam dentro das normas do Código Florestal.

Riscos para o clima e para a COP 30

Ambientalistas alertam que a decisão sinaliza um retrocesso para o Brasil, especialmente às vésperas da COP 30, que ocorrerá em Belém. Para o WWF-Brasil, a atitude contraria a meta do governo federal de zerar o desmatamento até 2030. O Ministério do Meio Ambiente também manifestou preocupação, argumentando que o pacto consolidava a imagem do país como fornecedor de soja sustentável.

Investigações e irregularidades anteriores

Apesar de sua relevância ambiental, a moratória já foi desrespeitada por empresas. Reportagens revelaram compras de soja oriunda de áreas embargadas e casos de “lavagem de soja”.

Ofensiva legislativa e judicial

Nos últimos anos, leis estaduais em Rondônia, Mato Grosso e Maranhão tentaram minar a validade da moratória. Projetos semelhantes tramitam no Pará, Goiás e na Câmara dos Deputados. O STF avalia a constitucionalidade dessas leis, com votações previstas para os próximos dias.

O desfecho do processo no Cade e a resposta do Supremo Tribunal Federal devem definir o futuro de um dos mais relevantes instrumentos de proteção da Amazônia nas últimas décadas.

Fonte: Repórter Brasil

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