Relatório europeu indica que 53% das terras foram impactadas por déficit hídrico severo; impactos já afetam vegetação e economia
Entre os dias 11 e 20 de maio de 2025, 53% das terras na Europa e na Bacia do Mediterrâneo enfrentaram condições de seca, segundo dados do Observatório Europeu de Secas (EDO). O índice representa um aumento de mais de 20 pontos percentuais em relação à média registrada entre 2012 e 2024 — e configura o maior nível já documentado para o período.
As informações, divulgadas pela AFP, colocam a crise hídrica europeia em destaque no cenário internacional e reforçam os efeitos diretos das mudanças climáticas sobre os recursos naturais, a agricultura e a estabilidade socioeconômica.
Europa Central, Oriental e o Mediterrâneo em risco crítico
De acordo com o Indicador Combinado de Seca (IDC), o cenário mais grave se concentra na Europa Central e Oriental, enquanto a seca prolongada continua em regiões do Mediterrâneo Oriental e Oriente Médio. A temperatura acima da média sazonal no norte da Europa contribuiu para agravar a situação.
As regiões mais afetadas incluem:
- Grécia, Chipre, sudeste da Espanha e dos Bálcãs, com forte impacto na vegetação
- Territórios palestinos, Síria, Líbano, Israel, Turquia, Jordânia, Irã, Iraque e Azerbaijão, em níveis de alerta ou advertência
- Ucrânia, Polônia, Hungria, Eslováquia e Bielorrússia, com índices crescentes de solo seco e vegetação estagnada
Entre os países monitorados, 19% do território ucraniano apresentava sinais avançados de seca, além de 17% da Bielorrússia, 10% da Polônia e 9% da Hungria e Eslováquia.
Efeitos sobre vegetação e agricultura
A análise utiliza imagens de satélite combinando três parâmetros: precipitação, umidade do solo e estado da vegetação. De 11 a 20 de maio, 42% das áreas monitoradas estavam em nível de alerta — ou seja, sem umidade suficiente no solo — e 5% estavam em nível de alerta severo, com vegetação prejudicada em seu ciclo de crescimento.
O Reino Unido, por exemplo, registrou sua primavera mais seca e mais quente em mais de 50 anos, com 98% do país sob alguma condição de seca, conforme dados do Met Office britânico.
Secas prolongadas também afetam Norte da África
As condições de seca se estendem também ao Norte da África, onde os níveis de advertência e alerta persistem há mais de um ano, sem sinais de recuperação significativa. A escassez de chuvas afeta o crescimento agrícola, a segurança alimentar e a disponibilidade hídrica em Marrocos, Tunísia, Argélia e Egito.
Impactos econômicos e alerta do Banco Central Europeu
A crise hídrica não se limita ao meio ambiente. No dia 23 de maio, o Banco Central Europeu (BCE) emitiu um alerta sobre riscos econômicos crescentes associados à seca prolongada, estimando que até 15% da produção da zona do euro pode ser impactada por eventos climáticos extremos impulsionados pelas mudanças climáticas.
A escassez de água, aliada a temperaturas elevadas, afeta diretamente setores como agricultura, energia e abastecimento urbano, pressionando economias já fragilizadas por fatores geopolíticos e ambientais.
Onde há alerta de seca atualmente?
Segundo o EDO, as condições de alerta ou advertência de seca estão ativas em amplas regiões, como:
- Reino Unido, Irlanda, norte da França, Alemanha, Benelux, Polônia, Eslováquia, República Tcheca
- Ucrânia, Romênia, Bulgária, Bielorrússia, sul da Rússia
- Grécia, Chipre, Malta e várias ilhas do sul do Mediterrâneo
- Grande parte da Turquia, bem como áreas dos Bálcãs e Oriente Médio
A situação exige ações coordenadas de mitigação, adaptação e monitoramento climático, com foco em uso eficiente da água, segurança alimentar e proteção da biodiversidade.
Seca intensifica urgência climática
O avanço da seca sobre mais da metade da Europa e do Mediterrâneo acende um alerta climático global. Mais do que um fenômeno sazonal, os dados reforçam a necessidade de políticas públicas robustas, investimentos em infraestrutura hídrica e ações de adaptação baseadas em ciência e cooperação internacional.
As mudanças no ciclo hídrico, impulsionadas pelo aquecimento global, já impactam a qualidade de vida, produção agrícola, ecossistemas naturais e economias inteiras. E, como mostra o relatório da EDO, esses efeitos estão se intensificando.


