Inundação na Market Street em Tenbury Wells, Worcestershire, Inglaterra, em 26 de junho de 2007. David Davies / PA Images via Getty Images
Inundação na Market Street em Tenbury Wells, Worcestershire, Inglaterra, em 26 de junho de 2007. David Davies / PA Images via Getty Images

Reino Unido corre risco de desastre climático por falta de preparo, alerta relatório oficial

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Documento do Comitê de Mudanças Climáticas aponta estagnação nas ações de adaptação e risco crescente para a população com inundações, calor extremo e outros eventos extremos

O Reino Unido não está preparado para enfrentar os impactos crescentes das mudanças climáticas, segundo um novo relatório publicado pelo Comitê de Mudanças Climáticas (CCC). O documento classifica como “inadequada” a resposta do país a riscos cada vez mais frequentes como ondas de calor, enchentes, secas e incêndios florestais.

“Os preparativos são insuficientes. Há pouco progresso, e o planejamento continua fragmentado e desarticulado”, destaca o relatório, que analisa 46 áreas-chave de adaptação climática — nenhuma delas recebeu avaliação positiva.

Riscos reais e imediatos

O relatório aponta que o ritmo de ação climática no Reino Unido estagnou e, em alguns casos, está regredindo. De outubro de 2022 a março de 2024, a Inglaterra registrou seus 18 meses mais chuvosos da história, ao mesmo tempo em que lida com as consequências do calor extremo do verão de 2022, quando as temperaturas atingiram 40,3 °C (104,5 °F) — um recorde histórico.

“O país está em risco, as pessoas estão em risco, e não está sendo feito o suficiente”, alertou Lady Brown, presidente do subcomitê de adaptação do CCC.

Enchentes e o caso de Tenbury Wells

Um dos maiores pontos de preocupação são as inundações costeiras e fluviais. O relatório denuncia que os planos e políticas para enfrentá-las estão se tornando menos eficazes. Um exemplo é Tenbury Wells, cidade no condado de Worcestershire, que foi atingida por várias inundações nos últimos quatro anos.

Moradores relatam que o impacto é devastador: lojas fechadas, seguros inviáveis e prejuízos recorrentes. A comerciante Polly Pearce descreveu a última enchente, em novembro de 2024, como “um tsunami” que destruiu toda a mercadoria natalina de sua loja de caridade.

Apesar disso, a Agência Ambiental britânica afirma que os mais de US$ 30 milhões necessários para defesas permanentes na cidade são inviáveis. O governo promete iniciar obras de resiliência às enchentes ainda neste verão, mas não há garantias orçamentárias claras, especialmente com a revisão fiscal prevista para junho.

“A conta será maior amanhã”, diz Comitê

O relatório também chama atenção para o aumento de mortes relacionadas ao calor extremo e cobra mais comprometimento financeiro do governo. Existe receio de que os cortes previstos na revisão orçamentária afetem diretamente as ações de adaptação climática, como os investimentos em infraestrutura contra enchentes.

“Adiar a preparação climática é um erro grave que custará mais caro a longo prazo”, afirmou Lady Brown. “Não é um problema futuro — é uma crise atual que se agrava a cada ano.”

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