poluição do ar
Uma vista do Rio Kanawha de um estacionamento com ônibus escolares em Poca, Virgínia Ocidental, em direção a uma usina elétrica a carvão na margem oposta, na cidade de Winfield, no Condado de Putnam. halbergman / E+ / Getty Images

Quase 50% da população dos EUA respira ar poluído, alerta Associação Americana do Pulmão

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A poluição do ar nos EUA atingiu níveis alarmantes em 2025, segundo o mais recente relatório State of the Air, divulgado pela American Lung Association (ALA). De acordo com o estudo, cerca de 156,1 milhões de americanos, o que representa 46% da população, vivem atualmente em áreas com níveis perigosos de poluição por ozônio e partículas finas (PM2,5). Esse número cresceu em relação ao ano anterior, colocando aproximadamente 25 milhões de pessoas a mais em risco.

Mudanças climáticas e incêndios florestais agravam a poluição

A ALA aponta que fatores como secas severas, ondas de calor e o aumento dos incêndios florestais estão entre as principais causas desse avanço da poluição atmosférica. “As famílias norte-americanas enfrentam diariamente os impactos da má qualidade do ar, agravados pelo calor extremo e pelos incêndios”, afirmou Harold Wimmer, presidente da ALA.

Entre os efeitos mais preocupantes estão o aumento de crises de asma em crianças , doenças respiratórias em trabalhadores expostos ao ar livre e até casos de baixo peso ao nascer .

Impacto desproporcional em comunidades de cor

O relatório também revela uma forte desigualdade ambiental: pessoas de cor são desproporcionalmente afetadas pela poluição do ar. Embora representem 41,2% da população dos EUA, elas compõem 50,2% das pessoas que vivem em áreas com altos níveis de poluentes. Populações hispânicas, por exemplo, têm três vezes mais chances de viver em regiões com níveis críticos de poluição, quando comparadas à população branca.

As cidades mais e menos poluídas dos EUA

A análise da ALA classificou as cidades norte-americanas com pior qualidade do ar. Bakersfield-Delano e Los Angeles-Long Beach, ambas na Califórnia, lideram o ranking negativo, especialmente em poluição por ozônio e partículas finas. Em contrapartida, apenas Bangor (Maine) e San Juan (Porto Rico) obtiveram as melhores notas em todas as métricas de avaliação da qualidade do ar.

Milhões vivem sem monitoramento da qualidade do ar

Em paralelo ao relatório da ALA, um estudo da Universidade Estadual da Pensilvânia revelou que mais de 50 milhões de americanos vivem em condados sem qualquer sistema de monitoramento da qualidade do ar. Isso significa que milhões podem estar expostos à poluição sem sequer saber, aumentando o risco de doenças respiratórias e cardiovasculares.

“Onde não há dados, a ameaça se torna invisível”, destacou Nelson Roque, autor do estudo.

Ameaças à Agência de Proteção Ambiental (EPA)

Além da crescente crise da poluição do ar nos EUA, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) enfrenta ameaças de cortes de orçamento e pessoal. Segundo a ALA, essas reduções podem comprometer ainda mais o combate à poluição, deixando a população vulnerável.

“A EPA é parte essencial do nosso sistema de saúde pública”, afirmou o Dr. Afif El-Hasan, membro da ALA. A associação está mobilizando a população para pressionar o Congresso contra os cortes, incentivando o envio de e-mails para representantes políticos.

Proteger a saúde pública exige ação imediata

Com quase metade da população respirando ar insalubre e políticas ambientais sob ataque, a situação demanda respostas urgentes. A ALA reforça que proteger a EPA e fortalecer as políticas da Lei do Ar Limpo são passos fundamentais para garantir um futuro mais saudável para todos os americanos.

Enquanto as mudanças climáticas continuam a amplificar os desafios ambientais, o alerta da American Lung Association deixa claro: sem medidas eficazes, milhões continuarão expostos a riscos evitáveis.

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