O Programa de Conservação do Mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus), do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), foi selecionado na estreia do Fundo de Reintrodução de Espécies, criado pela Colossal Foundation e pela Re:wild (EUA), para receber US$ 50 mil — cerca de R$ 270 mil — para ações de conservação no Pontal do Paranapanema, extremo oeste de São Paulo.
O fundo é o único no mundo inteiramente dedicado a apoiar projetos de refaunação e reintrodução de espécies ameaçadas, fortalecendo populações e beneficiando seus habitats. Além do apoio financeiro, oferece colaboração técnica para ampliar o impacto e o sucesso das iniciativas.
Mais de 10 anos de translocações
O programa, liderado pela bióloga Gabriela Cabral Rezende, já realizou sete translocações de micos-leões-pretos para fragmentos de Mata Atlântica. A técnica é considerada estratégica para aumentar a diversidade genética e reduzir o risco de extinção.
“Essa parceria nos dá força para seguir salvando a espécie e restaurando a funcionalidade de seu habitat. É um trabalho técnico, complexo e arriscado, mas essencial”, destaca Gabriela.
Com o novo aporte, o IPÊ poderá expandir as translocações para novos fragmentos que necessitam de suplementação ou reintrodução da espécie. Uma oficina de atualização do Programa de Manejo Populacional está marcada para fevereiro de 2026, reunindo especialistas para definir prioridades e identificar populações-fonte que irão fornecer indivíduos para futuros manejos.
Histórico e resultados recentes
A primeira translocação ocorreu em 1995. Desde então, grupos foram levados a áreas onde a espécie havia desaparecido, como a Fazenda Mosquito (Narandiba-SP), criando novas populações estáveis. Em 2024, um novo ciclo teve início, transferindo indivíduos do Parque Estadual do Morro do Diabo para a Fazenda San Maria (Presidente Epitácio-SP), com o objetivo de evitar a extinção local.
Em 2025, outra translocação ocorreu, seguida de desafios, como a morte da fêmea-alfa. Mesmo assim, a formação de novos grupos reprodutivos já foi registrada, sinalizando adaptação e potencial de crescimento populacional.
Planejamento a longo prazo
O manejo do mico-leão-preto integra o Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas da Mata Atlântica e da Preguiça-de-coleira (PAN PPMA), coordenado pelo ICMBio. A estratégia prevê ações integradas de conservação por um período de 10 anos, abrangendo medidas in situ e, quando necessário, em ambiente controlado.
A próxima grande meta do programa é a translocação prevista para o segundo semestre de 2026, durante a estação chuvosa, quando há maior oferta de alimento, aumentando as chances de adaptação dos animais.
Fonte: g1


