A exploração de petróleo na Margem Equatorial, faixa do litoral que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte e abriga o Grande Sistema Recifal Amazônico, está no centro de um dos debates mais relevantes da política energética brasileira / © Coordenação-Geral de Observação da Terra/INPE
A exploração de petróleo na Margem Equatorial, faixa do litoral que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte e abriga o Grande Sistema Recifal Amazônico, está no centro de um dos debates mais relevantes da política energética brasileira / © Coordenação-Geral de Observação da Terra/INPE

Petróleo na Foz do Amazonas custaria R$ 47 bilhões a mais do que investir em renováveis

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Um novo estudo do WWF-Brasil acaba de derrubar um dos argumentos mais utilizados pelos defensores da exploração de combustíveis fósseis na Margem Equatorial: o de que o petróleo da Foz do Amazonas seria o “combustível” financeiro para a transição energética. Segundo o levantamento, a realidade é inversa: apostar na rota fóssil pode gerar um prejuízo de R$ 47 bilhões em comparação ao investimento em fontes limpas.

Utilizando a Análise Socioeconômica de Custo-Benefício (ACB) — metodologia recomendada pelo TCU para avaliar grandes obras públicas —, os pesquisadores realizaram 10 mil simulações para medir não apenas o lucro das empresas, mas o impacto real para a sociedade brasileira.

Custo de oportunidade e prejuízo líquido

O estudo coloca na balança fatores que o mercado financeiro tradicional costuma ignorar, como gastos com saúde pública, danos climáticos (secas e enchentes) e a perda de competitividade a longo prazo.

  • Rota fóssil: A exploração na Foz pode gerar um prejuízo líquido de R$ 22,2 bilhões ao país. Os custos operacionais somados aos impactos ambientais superam os benefícios econômicos diretos.
  • Rota renovável: Investir o mesmo montante em energias limpas produziria um benefício líquido de R$ 24,8 bilhões.
  • O abismo: A diferença entre escolher o petróleo ou a energia renovável é o que totaliza os R$ 47 bilhões de “custo de oportunidade” perdido.

Autossuficiência e o risco do “elefante branco”

Um ponto crucial destacado pelo coordenador do estudo, Ricardo Fujii, é que o Brasil já é autossuficiente em petróleo. As reservas atuais do pré-sal são suficientes para suprir o país durante todo o período necessário de transição.

Além disso, há um risco mercadológico: como o petróleo da Foz levaria cerca de uma década para começar a ser comercializado, ele chegaria ao mercado justamente quando a demanda global estará em queda livre, conforme as projeções da Agência Internacional de Energia (IEA).

“O Brasil corre o risco de construir uma infraestrutura bilionária que se tornará obsoleta antes de dar retorno. É o que chamamos de ativos encalhados, onde a população acaba arcando com o prejuízo de uma escolha técnica equivocada”, alerta Fujii.


Os números do WWF-Brasil:

  • R$ 47 bilhões: Diferença de benefício entre investir em renováveis vs. petróleo na Foz.
  • 80% menos: Emissões no ciclo de vida das rotas renováveis em comparação à fóssil.
  • 10.000 simulações: Base estatística para garantir a precisão dos dados em diferentes cenários de preço.
  • 10 anos: Prazo médio para o petróleo da Foz chegar ao mercado (momento de queda na demanda global).

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