A Petrobras planeja iniciar, em janeiro de 2026, uma nova campanha exploratória na Bacia do Solimões, no Amazonas. O projeto prevê a perfuração de 22 novos poços até 2030, visando compensar o declínio natural das reservas atuais e garantir o fornecimento de energia para a região Norte.
A base de Urucu, localizada em Coari (AM), é a maior reserva terrestre de petróleo e gás do Brasil. Atualmente, a unidade produz cerca de 105 mil barris de óleo equivalente por dia, o que sustenta 65% da energia elétrica de Manaus e fornece 80 mil botijões de gás de cozinha diariamente para as regiões Norte e Nordeste.
Estratégia de exploração e logística
Dos 22 poços aprovados, 20 serão perfurados em áreas já conhecidas para sustentar a curva de produção. Os outros dois poços têm caráter exploratório, visando identificar novas fronteiras de hidrocarbonetos na região.
Hilter Bandeira, gerente geral da Petrobras em Urucu, explicou à CNN Brasil que a perfuração é vital para manter a entrega de gás. A logística de Urucu é única: a base é cercada por floresta densa e não possui acesso por estradas, uma escolha deliberada para evitar o desmatamento e a ocupação urbana desordenada. Todo o escoamento é feito por uma rede de gasodutos e dutos que se estende por centenas de quilômetros até Coari e Manaus.
Preservação e compromisso ambiental
A Petrobras afirma que a exploração ocupa apenas 2% da área total da concessão, mantendo 98% da floresta nativa preservada. Entre as medidas de sustentabilidade destacam-se:
- Reflorestamento: Áreas de poços desativados são recuperadas com espécies nativas. Mais de 1,5 milhão de mudas já foram plantadas.
- Gestão de Resíduos: O lixo orgânico é transformado em adubo localmente e outros resíduos são enviados para tratamento em Manaus.
- Metas de Clima: A companhia mantém o objetivo de zerar emissões operacionais de gases de efeito estufa até 2050.
Impacto econômico e social
A operação em Urucu gera um impacto financeiro direto para o município de Coari, que recebeu mais de R$ 274 milhões em royalties nos últimos anos. Além disso, a unidade mantém cerca de mil funcionários em regime de escala, oferecendo infraestrutura completa de saúde e lazer para lidar com o isolamento geográfico.
“A preservação da Amazônia é o coração da estratégia de gestão de clima do Brasil”, afirma Emanuela Santos, gerente do Programa Carbono Neutro da Petrobras, reforçando que a exploração de petróleo busca coexistir com a meta de transição energética justa.


