Desde 2017, três objetos interestelares já cruzaram o sistema solar, despertando a atenção da comunidade científica por sua raridade e potencial para revelar informações sobre outros sistemas planetários. São eles: o misterioso ‘Oumuamua, o cometa 2I/Borisov, e o mais recente, 3I/ATLAS, detectado em julho de 2025.
Agora, um novo estudo liderado pelo pesquisador Shokhruz Kakharov, estudante de pós-graduação do Departamento de Astronomia da Universidade Harvard e pelo Prof. Abraham Loeb, da Universidade de Harvard, analisa as trajetórias desses visitantes cósmicos. Para seus propósitos, Kakharov e Loeb executaram uma série de simulações numéricas de Monte Carlo usando o modelo de potencial galáctico GalPot, um pacote de software projetado para calcular o potencial gravitacional de uma galáxia, os cientistas determinaram suas prováveis origens e idades — revelando que cada um deles veio de uma região diferente da galáxia e foi expulso por mecanismos distintos.

Amostras naturais de outros sistemas planetários
Os objetos interestelares (ISOs) são materiais remanescentes da formação de sistemas planetários, expelidos por forças gravitacionais e vagando livremente pelo espaço até, ocasionalmente, cruzarem nosso sistema solar. Eles oferecem uma chance única de estudar a composição e dinâmica de outros sistemas estelares sem enviar sondas interestelares.
“Esses visitantes interestelares são sondas naturais. Eles carregam informações valiosas sobre a formação e evolução de sistemas planetários em outras partes da galáxia”, explica Kakharov.
Segundo os autores, a descoberta do ‘Oumuamua em 2017 foi um divisor de águas, provando que tais objetos existem e podem ser detectados com a tecnologia atual.
Três viajantes com histórias distintas
A equipe de Harvard gerou 10 mil trajetórias simuladas para cada ISO, considerando incertezas de observação e do movimento solar. As simulações mostraram que:
- 3I/ATLAS é o mais antigo dos três, com cerca de 4,6 bilhões de anos, originado do disco espesso da Via Láctea, uma região povoada por estrelas antigas com baixa metalicidade.
- 2I/Borisov tem cerca de 1,7 bilhão de anos e veio do disco fino, onde estrelas mais jovens — como o Sol — ainda se formam.
- 1I/‘Oumuamua, com cerca de 1 bilhão de anos, também surgiu no disco fino, o que reforça sua juventude relativa.
Essas diferenças mostram que objetos interestelares são ejetados por diversos sistemas ao longo da história da galáxia, e não apenas por estrelas recém-formadas.
Potencial para descobertas futuras
O avanço em técnicas de detecção, como o projeto LSST (Legacy Survey of Space and Time) do Observatório Vera C. Rubin, deve revolucionar a observação de ISOs. A expectativa é que dezenas de novos objetos sejam descobertos anualmente, permitindo estudos estatísticos mais robustos sobre a frequência e diversidade desses visitantes.
Missões como a Comet Interceptor, da Agência Espacial Europeia, também podem futuramente alcançar e estudar um objeto interestelar em tempo real.
“Compreender de onde esses objetos vêm nos ajuda a entender melhor como sistemas planetários se formam e evoluem”, afirma Kakharov.
Esses estudos são fundamentais para decifrar os processos que moldam a galáxia e suas estrelas — e, com isso, o próprio contexto de origem da Terra.
Fonte: Universe Today


