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Luzes LED em armadilhas revelam nova fronteira para pesca sustentável de camarão e peixes

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Um estudo inovador realizado por pesquisadores da Universidade de Exeter em parceria com a empresa Fishtek Marine revelou uma possibilidade promissora para o futuro da pesca sustentável. Utilizando luzes LED instaladas em armadilhas, cientistas conseguiram multiplicar em até 19 vezes a captura de camarões do norte (Pandalus borealis), além de atrair uma variedade maior de peixes — e tudo isso sem o uso de isca tradicional. A pesquisa, publicada no periódico Ocean and Coastal Management, foi destaque no novo documentário Ocean, de Sir David Attenborough, que aborda os desafios crescentes da vida marinha.

A luz como isca: a “cascata de atração” no oceano

A grande descoberta do estudo foi a criação do que os pesquisadores chamaram de “cascata de atração”. Segundo o Dr. Robert Enever, da Fishtek Marine, as luzes brancas de LED não atraem apenas os camarões diretamente, mas também provocam uma cadeia alimentar visual: o LED atrai o zooplâncton (alimento dos camarões), o que por sua vez atrai os camarões e, finalmente, os peixes predadores desses crustáceos.

“É como mariposas ao redor de uma chama — mas embaixo d’água. O pote iluminado se torna uma armadilha autoalimentada”, explica Enever.

Esse efeito em cadeia pode representar uma alternativa mais eficiente e menos impactante ao método tradicional de arrasto, responsável por grandes capturas acidentais e degradação do habitat marinho.

Resultados promissores, mas com ressalvas

Os testes foram conduzidos na costa oeste da Escócia e mostraram que, embora ainda não seja comercialmente viável em locais com baixa densidade de camarão, o uso das luzes LED tem alto potencial em áreas mais ricas em biodiversidade. Nos potes iluminados, a captura de camarões do norte foi até 19 vezes maior do que nas armadilhas tradicionais sem luz.

Além disso, os potes também atraíram 88% mais bacalhaus jovens e 50% menos lagostins (lagostas da Noruega), sinalizando que, com ajustes, o equipamento pode ser adaptado para pescarias de diferentes espécies-alvo.

“Camarão e bacalhau são frequentemente pescados com arrasto, o que causa sérios impactos no fundo do mar. Encontrar alternativas como armadilhas estáticas com LED pode mudar esse cenário”, afirma o Dr. Tom Horton, do Centro de Ecologia e Conservação da Universidade de Exeter.

Caminho para pescarias de baixo impacto

O maior impacto desse estudo não está apenas na quantidade de captura, mas na possibilidade de revolucionar a pesca com práticas de menor impacto ambiental. Isso poderia reduzir significativamente a captura acidental e preservar ecossistemas marinhos, principalmente em áreas onde o arrasto é altamente destrutivo.

Os pesquisadores apontam que, com um design de armadilha mais adequado a peixes maiores, os LEDs poderiam ser usados em pescarias comerciais voltadas para espécies como o bacalhau. Além disso, a redução nas capturas de lagostins indica que a tecnologia também pode ser utilizada para evitar espécies não desejadas — tornando a pesca mais seletiva e controlada.

Inovação a serviço do oceano

O projeto foi financiado pelo UK Seafood Innovation Fund e pela Schmidt Marine Technology Partners, reforçando a importância da inovação tecnológica para promover soluções práticas e aplicáveis à conservação dos oceanos e à sustentabilidade pesqueira.

O artigo completo, intitulado “Effects of illumination and pot design on catch and bycatch when targeting northern shrimp (Pandalus borealis) using white LED PotLights”, pode ser encontrado na revista Ocean and Coastal Management.

A introdução de LEDs em armadilhas de pesca é mais do que uma curiosidade científica: é uma inovação com grande potencial para transformar a maneira como pescamos. Em tempos de colapso de estoques pesqueiros e alerta global sobre a saúde dos oceanos, soluções como essa se tornam essenciais para garantir o futuro da alimentação e da vida marinha. Com ajustes e testes adicionais, a pesca com luz LED pode se tornar uma alternativa viável e ecologicamente responsável, reduzindo o impacto humano e promovendo um uso mais sustentável dos recursos oceânicos.

Fonte: Universidade de Exeter

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