Unidade de conservação que protege o Pico da Bandeira divulga dados oficiais de visitação entre janeiro e agosto, destacando o fluxo recorde no mês mais frio, o avanço da portaria capixaba e os desafios na preservação.

A temporada de subida ao Pico da Bandeira, o terceiro ponto mais alto do Brasil, com 2.892 metros de altitude, segue movimentando intensamente a Serra do Caparaó, na divisa entre Minas Gerais e Espírito Santo. De acordo com o balanço oficial divulgado pela administração do Parque Nacional do Caparaó, a unidade registrou um total de 89.729 visitantes acumulados entre janeiro e agosto de 2026.
Dando o tom da forte temporada de inverno, o mês de julho se destacou como o período de maior fluxo de turistas, registrando sozinho 14.925 visitantes nas trilhas e atrativos da unidade. Para muitas pessoas, o charme de encarar temperaturas quase negativas, continua sendo um do encantos que reúne horas de caminhada, disciplina e belas paisagens.
Os dados detalhados mostram a divisão do movimento entre as duas entradas do parque no período acumulado: a portaria mineira, em Alto Caparaó, recebeu 64.398 visitantes, enquanto a portaria capixaba, localizada em Pedra Menina, no município de Dores do Rio Preto, contabilizou 25.331 visitantes, consolidando cerca de um terço da visitação total da unidade.

O perfil de quem visita a serra
A visitação no parque se transforma ao longo do ano. Na primavera e no verão, o público busca principalmente as áreas de cachoeiras, reunindo famílias de todas as faixas etárias, para os famosos banhos de cachoeiras e as trilhas durante o dia. Já no outono e no inverno, o foco migra para as trilhas de grande altitude, o montanhismo que tem como o Pico da Bandeira o principal destino.
Segundo a adminitração da unidade, o público de montanha é formado na maior parte por jovens, mas há um crescimento expressivo de visitantes com mais de 60 anos, além da presença constante de pesquisadores, grupos escolares e observadores de aves.
Nas épocas mais frias, a preferência dos turistas continua sendo o acampamento nas áreas mais altas, como o Terreirão, em Minas Gerais, e a Casa Queimada, no Espírito Santo, pontos estratégicos para a tradicional subida noturna em busca do nascer do sol no Pico da Bandeira. Outro destaque informado pela gestão é o crescimento da travessia entre portarias, modalidade que ganhou força após uma atualização no guia oficial do parque, integrando os atrativos dos dois estados.

Avanço na portaria capixaba e gargalos de estrada
Localizada no distrito de Pedra Menina, ao Sul do Espírito Santo, a portaria capixaba cresce a cada ano e aumenta o número de visitantes. Enquanto do lado mineiro, dependendo do dia, o visitante acaba enfrentando filas e engarrafamentos.
Apesar da procura, o lado capixaba ainda esbarra em um obstáculo logístico: as condições precárias da estrada de acesso. A administração informou que o projeto de adequação da via interna está na reta final para embasar as obras de pavimentação por parte do governo do Espírito Santo. A expectativa é que, com a estrada totalmente reformada, o fluxo de visitantes pela entrada capixaba se iguale, ou mesmo, supere o lado mineiro.

Infraestrutura e fiscalização: os maiores desafios
Questionada sobre os principais problemas da unidade, a administração informou que o sistema de esgotamento sanitário é o maior gargalo atual, limitando o número de pessoas atendidas nas áreas de acampamento. Já na área de fiscalização, o problema é o desrespeito às normas do parque. De acordo com a direção, o não cumprimento das normas da Unidade ainda se mantém em índices altos, o que gera depredação do ambiente natural e nas estruturas de apoio, ocasionando gastos frequentes com manutenção e prejuízos de fauna e flora no território.
Por outro lado, a administração explica como ponto positivo o aumento da procura pela travessia entre portarias, o que ajuda a unificar a experiência dos turistas na serra, sem barreiras ou divisões estaduais.
Investimentos e melhorias
O Parque Nacional do Caparaó não cobra taxa de entrada ou diária de camping. Para viabilizar melhorias, a gestão opera com recursos do Fundo de Compensação Ambiental e do Projeto G7 Parques Nacionais.
Entre os projetos que aguardam liberação estão a implantação de um novo sistema de radiocomunicação, melhorias nos centros de visitantes, projetos de audiodescrição para o público cego ou com baixa visão, a reestruturação da pavimentação da estrada mineira e a criação de uma oficina de marcenaria para padronizar placas e sinalização. No momento, o parque já executa reformas gerais nas estruturas físicas para ampliar a acessibilidade arquitetônica nos pontos viáveis.
Segurança na montanha: um alerta necessário
Subir a montanha exige não apenas preparo físico, mas também equipamentos adequados e orientação correta. O parque relata que pequenas ocorrências, como torções, fraturas, crises respiratórias devido à altitude e crises de ansiedade, ocorrem com frequência.
Para evitar riscos maiores, a gestão recomenda a contratação de guias locais. A medida evita situações graves, como a ocorrida no início de 2026, quando dois irmãos se perderam na trilha que sai da Casa Queimada rumo ao Pico da Bandeira e passaram três dias desaparecidos, mobilizando equipes do parque, bombeiros e voluntários em uma grande operação de busca.
O papel do ecoturismo na conservação
Apesar dos desafios, a visitação bem organizada é vista pela administração como uma aliada fundamental. A presença consciente de turistas nas trilhas afasta práticas ilegais, como a caça e a retirada de vegetação nativa. Para a direção, quando o visitante conhece e valoriza o espaço, ele desenvolve um sentimento de pertencimento e se torna um verdadeiro guardião da natureza, ajudando o ICMBio a proteger o bioma de altitude.




