As turfeiras — ecossistemas de solo encharcado que acumulam matéria orgânica — são conhecidas como os maiores “cofres” de carbono da natureza. Mas uma nova pesquisa internacional liderada pela Universidade de St Andrews, e publicada no periódico Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology, acaba de mostrar que nem toda turfeira é igual.
Ao analisar a Bacia Pastaza-Marañón, no norte do Peru — um complexo do tamanho da Bélgica —, os cientistas descobriram que essas áreas são surpreendentemente jovens: a maioria tem menos de 2.500 anos. Para efeito de comparação, as turfeiras da Bacia do Congo, na África, podem ter mais de 40.000 anos.

Dinamismo em meio aos rios
Diferente das turfeiras africanas, que são relíquias milenares de estabilidade, as peruanas vivem sob a “ditadura” dos grandes rios amazônicos.
- Ciclo de vida: O movimento constante dos leitos dos rios destrói e cria novas turfeiras continuamente.
- Resiliência: O estudo sugere que, embora jovens, as turfeiras peruanas parecem menos vulneráveis a episódios de seca do que suas “irmãs” africanas, que sofreram danos graves no passado pré-histórico.
O carbono que cresce devagar
Apesar do dinamismo, a Dra. Katy Roucoux faz um alerta sobre a fragilidade desse estoque. A turfa no Peru se acumula a uma taxa de apenas alguns milímetros por ano — dez vezes mais devagar do que o crescimento das nossas unhas.
“É crucial entender que o carbono estocado ao longo de milhares de anos pode ser perdido muito rapidamente se drenarmos essas áreas. Elas não são recursos renováveis em nossa escala de tempo”, afirma Roucoux.
Sustentabilidade sem Drenagem
A pesquisa reforça que a conservação dessas áreas não impede a economia local. As turfeiras são fontes de frutos de palmeiras valiosos, e a colheita sustentável é possível sem a drenagem do solo. No entanto, a política de gestão deve ser única: o que funciona para a Grã-Bretanha ou para o Congo não se aplica necessariamente ao Peru, devido às diferenças geológicas e biológicas.
As turfeiras peruanas em dados:
- 9.000 anos: Idade máxima encontrada (contra 40.000 na África).
- 30.000 km²: Área aproximada do complexo Pastaza-Marañón.
- Milímetros: A taxa anual de crescimento da turfa.
- Ameaça: A drenagem intencional é o principal risco para a liberação de CO2.
Fonte: Universidade de St Andrews


