Em uma medida sem precedentes, o secretário-executivo da Convenção do Clima da ONU (UNFCCC), Simon Stiell, recomendou que as agências da ONU reduzam o tamanho de suas delegações para a COP30 em Belém. A recomendação, divulgada em uma notificação pública, aponta a crise de hospedagem na capital paraense como principal motivo e sugere a ampliação da participação virtual como alternativa.
A orientação de Stiell é direcionada principalmente aos chefes do sistema da ONU e organizações parceiras, com foco especial nos chamados overflow badges, credenciais extras para assessores e convidados. “Tendo em vista as limitações de capacidade em Belém, gostaria de solicitar gentilmente que os chefes do sistema das Nações Unidas, agências especializadas e outras organizações relevantes revisem o tamanho de suas delegações na COP30 e reduzam o número de delegações sempre que possível”, diz um trecho da carta.
Apesar de as organizações da ONU não terem limitações para o registro de participantes, a notificação as orienta a diminuir o número de credenciais, prometendo disponibilizar mais informações sobre a participação virtual.
Países e Brasil buscam soluções
A crise hoteleira de Belém tem gerado preocupação em diversas nações. O vice-ministro do Clima e do Meio Ambiente da Polônia, Krzysztof Bolesta, classificou os preços de hospedagem como “sem precedentes”, com valores até três vezes maiores que os permitidos por seus procedimentos nacionais e exigindo estadias mínimas de 16 noites. Bolesta questiona a credibilidade do processo multilateral se os negociadores não puderem comparecer fisicamente à conferência.
A Estônia também expressou preocupação com os preços “exorbitantes” e requisitos “irracionais”. Segundo Katre Kets, chefe de Assuntos Climáticos Internacionais da Estônia, o país pode ser forçado a se retirar da cúpula caso uma solução razoável não seja apresentada. A Embaixada da Suíça, por sua vez, optou por alugar imóveis de proprietários locais para complementar a oferta hoteleira.
A Secretaria Extraordinária para a COP30 (Secop) informou que o governo brasileiro está negociando com o setor hoteleiro para flexibilizar os prazos de reserva e acomodar as necessidades das delegações. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que o governo está trabalhando para tornar o evento mais inclusivo, subsidiando a hospedagem para países vulneráveis e buscando controlar os preços que, segundo ela, foram “extrapolados” por alguns estabelecimentos.
Fonte: O Globo


