O Ministério da Gestão e da Inovação (MGI) e o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) anunciaram uma cooperação técnica histórica com o Google que promete destravar milhares de processos de regularização ambiental no país. A gigante de tecnologia doou imagens de satélite de alta resolução datadas de 2008, ano-chave para a legislação ambiental brasileira, abrangendo estados críticos como Pará, Mato Grosso, Rondônia, Maranhão e Tocantins.
Para a ministra Esther Dweck, a medida é um divisor de águas para o produtor rural. “Vai facilitar a vida de quem está em dia com a lei. O CAR validado é a porta de entrada para o crédito rural e será a base para o promissor mercado de carbono”, explicou em entrevista ao CanalGov nesta quinta-feira (02/04).
Por que o ano de 2008 é tão importante?
O Código Florestal de 2012 estabeleceu 22 de julho de 2008 como o “marco temporal” para a regularização. O que foi desmatado antes dessa data pode ser passível de regularização simplificada; o que foi retirado depois exige recuperação rigorosa.
- O problema: Até então, muitos produtores e órgãos ambientais sofriam com imagens de satélite antigas de baixa qualidade, o que gerava dúvidas e lentidão na validação dos dados.
- A solução: Com as novas imagens de alta definição do Google, a verificação do que era floresta e o que era lavoura em 2008 torna-se incontestável e imediata.
Inovação: O CAR “pré-preenchido”
A parceria faz parte de uma modernização ampla do sistema. O MGI já integrou os dados de registros de terras, permitindo que o produtor acesse um serviço de licenciamento ambiental pré-preenchido, reduzindo erros e tentativas de fraude.
Agora, com o novo catálogo disponível publicamente no Google Earth Engine e no Google Earth desde esta quarta-feira (01/04), o processo de validação ganha uma transparência sem precedentes.
Benefícios diretos para o produtor:
- Agilidade no crédito: Instituições financeiras exigem o CAR regularizado para liberar empréstimos e custeios.
- Mercado de carbono: Imagens claras facilitam a certificação de áreas que preservam estoque de carbono, gerando nova fonte de renda.
- Segurança jurídica: Prova documental de alta tecnologia contra multas indevidas ou sobreposições de terra.
A iniciativa coloca o Brasil na vanguarda do uso de Big Data para a governança ambiental, provando que tecnologia e produção rural podem (e devem) caminhar juntas.
Fonte: Agência Brasil




