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Nova obra internacional com participação de professora da Ufes propõe transição para a democracia ambiental

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Publicado pela Editora Poisson e disponível para acesso gratuito, livro discute os limites do antropocentrismo e defende os direitos da natureza e a ecologia integral.

Diante de crises sistêmicas como as mudanças climáticas, a perda acelerada da biodiversidade e a degradação contínua dos ecossistemas, fica evidente que o desafio ambiental contemporâneo vai muito além de soluções puramente técnicas. O avanço do debate sobre o ecocídio exige uma transformação profunda na forma como a sociedade se relaciona com a Terra. É com essa premissa que surge o livro internacional Towards an Ecocentric Image of the World: From the Epistemological Turn to Environmental Democracy (“Rumo a uma imagem ecocêntrica do mundo: da virada epistemológica à democracia ambiental”, em tradução livre), lançado pela Editora Poisson.

A obra conta com a coautoria da professora do Departamento de Direito da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Margareth Zaganelli. Escrito em inglês para ampliar o seu alcance e impacto no debate acadêmico internacional, o livro está disponível de forma totalmente gratuita no site da editora, democratizando o acesso a essa reflexão essencial.

Superando o antropocentrismo: rumo a uma visão ecocêntrica

O volume reúne contribuições interdisciplinares que articulam conceitos da filosofia, do direito, da bioética, das ciências sistêmicas e dos estudos socioambientais. O objetivo central é demonstrar que o enfrentamento da crise ecológica global passa necessariamente pela revisão dos fundamentos que orientam a relação entre a humanidade e a natureza.

Os autores propõem a superação da visão antropocêntrica — que coloca o ser humano isolado no centro e reduz o meio ambiente a um mero banco de recursos — em favor de uma perspectiva ecocêntrica. Essa nova abordagem reconhece o valor intrínseco dos ecossistemas e a profunda interdependência entre todas as formas de vida no planeta.

Governança, ecologia integral e direitos da natureza

Estruturado em seis capítulos densos e instigantes, o livro aborda temas cruciais da agenda socioambiental atual:

  • O conceito e as implicações do Antropoceno;
  • A transição para uma nova ecoética;
  • As contribuições fundamentais das ciências da complexidade;
  • O paradigma da ecologia integral, inspirado na encíclica Laudato si’, do Papa Francisco;
  • A construção de uma democracia ambiental efetiva e os desafios para a consolidação jurídica dos direitos da natureza.

Um dos destaques da publicação é a discussão sobre a possibilidade de reconhecer os ecossistemas como sujeitos de direito. A obra aponta que essa inovação jurídica tem alto potencial de proteção ambiental, desde que venha acompanhada de fortes mecanismos institucionais e práticos para garantir sua plena efetividade.

Participação social e saberes tradicionais

Além da teoria jurídica, o livro enfatiza a urgência de uma democracia ambiental alicerçada na participação social ativa. Para isso, defende a valorização de diferentes formas de conhecimento, com destaque para a inclusão dos saberes tradicionais de comunidades locais e povos indígenas nos processos de tomada de decisão.

Analisando experiências práticas de várias regiões do globo — com especial atenção aos cenários da América Latina —, a publicação oferece um panorama rico sobre os obstáculos e as oportunidades na consolidação de uma governança socioambiental verdadeiramente democrática e regenerativa.

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