Foto: divulgação Zoológico de São Paulo
Foto: divulgação Zoológico de São Paulo

Nova aliança para a biodiversidade: ICMBio une forças com o Zoológico de SP

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O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Zoológico de São Paulo firmaram um importante acordo de cooperação técnica para intensificar a conservação de espécies da fauna brasileira. A parceria visa fortalecer ações para animais endêmicos e ameaçados de extinção, como a ararinha-azul, a arara-azul-de-lear e o mico-leão-dourado. O foco é a implementação de programas de conservação tanto em seus habitats naturais (in-situ) quanto em ambientes controlados (ex-situ), como zoológicos, onde a reprodução em cativeiro pode ser essencial para a sobrevivência das populações.

O acordo abre novas possibilidades para espécies que ainda não possuem programas de manejo populacional robustos, permitindo que se beneficiem da experiência e da estrutura do Zoológico de São Paulo. Marcelo Marcelino, diretor de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade do ICMBio, destacou que a colaboração “amplia a atuação do Zoo na conservação de outras espécies ameaçadas, que ainda não contam com programas de manejo populacional estruturados”.

Ararinhas-azuis que fazem parte do plantel do centro de conservação na capital paulista / Foto: divulgação Zoológico de São Paulo

A esperança para a ararinha-azul e a arara-azul-de-lear

O Zoológico de São Paulo já tem um histórico de sucesso na reprodução de aves raras. Em 2024, a instituição inaugurou um centro de conservação para 27 ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii) vindas de outro criadouro. A ararinha-azul, considerada extinta na natureza, é alvo de um programa de reintrodução na Bahia, que tem enfrentado problemas e polêmicas, incluindo um surto de circovírus entre as aves. O objetivo do centro da USP é a reprodução em cativeiro para, no futuro, introduzir as aves na vida selvagem.

O sucesso na reprodução em cativeiro já é uma realidade para a arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari) no zoológico paulista, onde a espécie faz parte do Plano Nacional para Conservação das Aves da Caatinga. A instituição foi a primeira no Brasil a ter êxito na reprodução da espécie em 2015. Desde então, 23 filhotes nasceram no local, e cinco aves foram soltas em seu habitat natural na Bahia.

Um dos dois filhotinhos de arara-azul-de-lear logo após a eclosão do ovo / Foto: divulgação Zoológico de São Paulo

O papel vital dos Studbooks na conservação

Para garantir a saúde e a diversidade genética de espécies ameaçadas, como as araras, a Associação Mundial de Zoológicos e Aquários (WAZA) mantém o international studbook, uma ferramenta essencial para o manejo de populações fora de seus habitats naturais. Este “livro genealógico” reúne dados cruciais sobre cada indivíduo da espécie no mundo, como localização, idade, sexo e filiação.

A WAZA explicou que os studbooks são uma “ferramenta vital no manejo científico de populações ex-situ” e que seu objetivo é manter as populações saudáveis e com alta diversidade genética. Profissionais designados, os chamados international studbook keepers, coordenam esses registros e podem recomendar a transferência de animais entre instituições para garantir a variabilidade genética e o aumento populacional.

No caso da arara-azul-de-lear, a bióloga Fernanda Guida, chefe do setor de aves do Zoológico de São Paulo, será a coordenadora do studbook. Já para a ararinha-azul, a WAZA não tinha um coordenador ativo. Em resposta, o ICMBio informou que assumiu essa função e solicitou a nomeação de um representante próprio para a posição junto à WAZA. Essa mudança ocorre após polêmicas envolvendo o antigo consultor, que também era coordenador científico da ACTP, organização que tem sido alvo de denúncias e questionamentos sobre o envio de ararinhas-azuis para um zoológico investigado na Índia.

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